Governo dos EUA estaria pensando em banir criptografia de ponta a ponta

Por Felipe Demartini | 28 de Junho de 2019 às 10h12

O embate entre o governo dos Estados Unidos e as empresas de tecnologia deve retornar em breve, e com mais força caso siga adiante uma nova ideia de proibição da criptografia de ponta a ponta. O método de segurança, usado por empresas como Facebook, WhatsApp, Telegram, Apple, Google e outras impede o acesso das autoridades ao conteúdo de mensagens para fins de investigação e foi assunto de uma reunião entre oficiais nesta semana.

Estiveram reunidos representantes de diferentes setores, como o FBI, o Serviço Secreto e departamentos como o de justiça, comércio e segurança nacional. Em pauta, a ideia de que o uso de sistemas de segurança avançados impediria o acesso de forças policiais ao conteúdo de mensagens ou arquivos trocados entre usuários, entrando no caminho dos esforços da luta contra o terrorismo ou impedindo investigações quanto a crimes de diferentes tipos de severidade.

Para o FBI e o Departamento de Justiça, a segurança nacional deveria ser prioridade máxima, mesmo que uma proibição da criptografia abra as portas para invasões. Por outro lado, membros dos setores de comércio e Estado se preocupam com questões de cibersegurança e consequências diplomáticas de uma decisão desse tipo, além da reação amplamente negativa das empresas do setor e também da população, que veria seu direito à privacidade na berlinda mais uma vez.

Na reunião, cujo conteúdo foi reportado pelo site Politico, dois caminhos foram discutidos, mas sem que os envolvidos chegassem a uma conclusão. Uma medida, mais branda, seria publicar uma posição oficial do governo sobre a criptografia, retomando as conversas com empresas na busca por um meio termo. Ou, então, partir para as cabeças e incentivar a criação de uma lei, a partir do Congresso, que proíba o uso desse mecanismo de segurança.

O Departamento de Segurança Nacional dos EUA teria levantado, ainda, a questão de que o fim de um protocolo de criptografia desse tipo também teria consequências para o próprio governo, já que, na mesma medida em que pode ver investigações impedidas pela tecnologia, também faz uso delas em suas atividades. De acordo com o relato da imprensa americana, o setor está dividido, com alguns de seus representantes sendo a favor e outros contra a ideia de uma proibição.

Caso uma medida desse tipo efetivamente siga adiante, a probabilidade é de que se inicie uma guerra intensa entre empresas de tecnologia e o governo dos EUA, muito maior do que os embates que aconteceram nos últimos anos. Nomes como Apple, por exemplo, já determinaram que a privacidade de seus usuários é o elemento mais importante de suas atuações, com a empresa, inclusive, tendo desafiado o FBI ao se recusar a entregar ferramentas que permitiriam o acesso a um iPhone bloqueado, mesmo que isso impedisse a continuidade de investigações sobre terrorismo.

Recentemente, a empresa também se opôs a uma medida que começou a querer tramitar no Reino Unido. Serviços de segurança do país sugeriram a criação de um “usuário fantasma”, que seria adicionado a todas as conversas em serviços de mensagem e serviria como uma porta de entrada governamental caso o acesso à comunicação seja necessário. Como no passado, a Apple afirmou que, se uma backdoor desse tipo existe, ela pode não ser usada apenas pelas autoridades, ou nem mesmo de maneira autorizada, e esse é um risco grande demais para se correr.

Oficialmente, o governo dos Estados Unidos não falou sobre o assunto, deixando de confirmar até mesmo a realização de uma reunião para discutir uma possível proibição da criptografia de ponta a ponta. O presidente Donald Trump não estaria presente na conversa, mas teria representantes envolvidos.

Fonte: Politico

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