Governo americano investiga fraudes contra auxílio desemprego nos EUA

Por Felipe Demartini | 19 de Maio de 2020 às 22h00
Krebs on Security

O Serviço Secreto americano está investigando uma onda de cadastros falsos de auxílio desemprego, com bandidos que tentam se aproveitar do maior número de solicitações e menor rigor na verificação durante o período de pandemia do novo coronavírus. De acordo com o governo, uma quadrilha nigeriana estaria por trás das fraudes, utilizando dados de cidadãos do país vazados na internet.

O alerta foi enviado a diferentes escritórios regionais do Serviço Secreto, alertando sobre tentativas de fraude em diferentes estados usando números de identidade e informações pessoais, principalmente, de professores, funcionários públicos, bombeiros e policiais, que têm prioridade no recebimento de auxílios desse tipo. Os dados são reais, mas as contas bancárias registradas pertenceriam a laranjas, contratados pelos bandidos para receber e lavar o dinheiro oriundo da fraude.

Muitos pagamentos, inclusive, já teriam sido feitos, com o estado de Washington sendo o mais atingido. Foi lá que o Serviço Secreto foi capaz de detectar os padrões da quadrilha, que teria origem nigeriana e estaria agindo de fora dos Estados Unidos, utilizando residentes ou estrangeiros que possuem contas no país para transferência dos valores. Os depósitos variam de US$ 9 mil a US$ 20 mil, com alguns casos ultrapassando a marca dos US$ 30 mil.

Um fato curioso, ainda, é a ideia de que muitos dos envolvidos na fraude teriam sido, eles próprios, vítimas anteriores da quadrilha. De acordo com o Serviço Secreto, os laranjas seriam pessoas pobres ou recém-desempregadas, que caíram em golpes do romance, no qual os bandidos se passam por interessados em um relacionamento para obter dinheiro, normalmente para a compra de passagens para visitar o atingido. Diante da situação difícil, eles seriam convidados posteriormente a fazer parte do esquema.

As tentativas acompanham um crescimento absurdo nos registros de seguro desemprego nos EUA, um reflexo direto da crise causada pela pandemia do novo coronavírus, que levou a 36 milhões de novos pedidos desde fevereiro. Esse fator também acompanhou um aumento de pelo menos 27% nos pedidos fraudulentos apenas em Washington, com algumas unidades federais chegando a interromper os registros e pagamentos por dois dias, em abril, de forma a lidar com o aumento no fluxo.

Uma investigação foi aberta, mas o documento do Serviço Secreto não fala em suspeitos identificados ou mandados de prisão, mas sim, apenas alerta escritórios regionais sobre o início de um inquérito federal sobre os casos. O governo também não falou oficialmente sobre os casos.

Enquanto isso, no Brasil...

Fraudes semelhantes, talvez não com o mesmo nível de complexidade, também estão acontecendo no Brasil desde a liberação do auxílio emergencial, uma ajuda do governo para profissionais informais afetados pela pandemia. Por aqui, entretanto, o caminho mais utilizado pelos criminosos é o dos aplicativos falsos, que inundam as lojas online, principalmente, do sistema operacional Android.

O objetivo, claro, é o roubo de dados, que podem ser utilizados tanto para o registro no auxílio em nome do cidadão bem como em demais fraudes bancárias. As tentativas de fraude também motivaram investigação da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) e da Polícia Federal, com o Ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, afirmando que milhões de pedidos indevidos foram registrados entre os mais de 27 milhões de cadastros registrados apenas em abril. Alguns deles, inclusive, foram feitos em nome do presidente Jair Bolsonaro e outras figuras políticas, utilizando dados pessoais disponíveis na internet.

Diante da situação, o deputado Eduardo Bismarck (PDT-CE) apresentou projeto de lei que adiciona um terço da pena a casos de fraudes ligadas ao auxílio emergencial e outros programas assistenciais do governo. A ideia é alterar o Código Penal com esse dispositivo, com o político apontando o fato de golpistas estarem se aproveitando do altíssimo número de pedidos para obter benefícios indevidos. O texto está tramitando na Câmara.

Fonte: Krebs on Security, Câmara dos Deputados, Estado de Minas

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