Google, Microsoft, Cisco e outras techs se unem contra espionagem no WhatsApp

Por Felipe Demartini | 22 de Dezembro de 2020 às 12h12
Reprodução/Anton (Pexels)

Um grupo de grandes empresas de tecnologia como Google, Cisco e VMware se uniram em prol do processo que vem sendo movido pelo WhatsApp contra o Grupo NSO, responsável pelo desenvolvimento de ferramentas de espionagem contra o mensageiro e outros aplicativos. Na ação, a companhia é acusada de não revelar falhas de segurança aos responsáveis pelo desenvolvimento do software, enquanto as utiliza para espionar, pelo menos, 1,4 mil pessoas, incluindo jornalistas e ativistas pelos direitos humanos.

A carta também é assinada pela Microsoft, junto a subsidiárias como o LinkedIn e o GitHub, além da Internet Association, que reúne os interesses de big techs como Facebook, Twitter e Amazon. No texto, elas se apoiam mutuamente no combate a spywares criados a partir de vulnerabilidades de segurança que deixam os usuários comuns menos protegidos por meio da sempre presente ameaça de que tais ferramentas, teoricamente usadas apenas por forças de segurança, acabem caindo em mãos erradas.

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O processo foi iniciado em outubro de 2019, depois que o WhatsApp corrigiu vulnerabilidades que vinham sendo usadas pelo Grupo NSO no desenvolvimento de softwares para agências de vigilância, especialmente um chamado Pegasus, usado por governos e forças policiais de todo o mundo. As aplicações agem, na maioria das vezes, sem o conhecimento dos espionados, com o mensageiro entrando na justiça para exigir mais informações e a lista de clientes da empresa que estiveram envolvidos em operações desse tipo.

A companhia chama a atenção para o fato de a ferramenta ser capaz de rastrear localizações, ler mensagens e ouvir chamadas, além de obter dados pessoais, arquivos e demais informações que sejam trocadas entre os dispositivos por meio do WhatsApp. Além disso, o processo chama a atenção para o fato de o Grupo NSO ter governos autoritários entre seus clientes, como os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e a Etiópia, o que teria levado aos ataques também contra dissidentes políticos, jornalistas, ativistas e demais membros da oposição política.

A carta apresentada pelas empresas de tecnologia não apenas demonstra apoio ao WhatsApp, como também pede à justiça americana que não permita um pedido de imunidade por parte da NSO, por conta de sua posição junto a governos no tratamento de informações relevantes à segurança nacional. A empresa tem tentado, sem sucesso, que os magistrados arquivem o caso, mas por enquanto, não houve vitória judicial nesse sentido, o que fez com que a defesa da desenvolvedora de software mudasse sua estratégia.

O argumento de Tom Burt, diretor de segurança e confiabilidade da Microsoft, que assina a carta, é de que empresas privadas deveriam ser responsabilizadas quando desenvolvem ferramentas que permitem ferir a privacidade de outras pessoas ou a própria lei. Na visão do executivo, não importa o caráter dos clientes que realizam tais ações, com a união de competidores em prol de uma causa comum tendo como intuito tornar o ecossistema de internet mais forte e ampliar a segurança contra ataques coordenados, que possam colocar todos os utilizadores em risco.

O Grupo NSO não se pronunciou sobre a apresentação da carta de apoio das empresas de tecnologia. Durante todo o processo, a desenvolvedora de softwares vem mantendo a postura de que não é responsável pela forma como seus clientes utilizam as ferramentas e que faz uma triagem para garantir que apenas agências de segurança e forças policiais reconhecidas tenham acesso às tecnologias de vigilância.

Fonte: TechCrunch

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