Google, Facebook e WhatsApp planejam ampliar medidas de segurança

Por Redação | 15.03.2016 às 10:28

Na mesma semana em que grandes empresas de tecnologia do Vale do Silício estariam preparando uma manifestação pública de apoio à Apple e repúdio ao governo dos EUA, elas também estariam trabalhando nos bastidores para ampliar a própria segurança. A ideia geral é de que a ordem do FBI que tentou obrigar a fabricante a desbloquear o iPhone poderia acontecer com qualquer uma delas e, sendo assim, o objetivo seria impedir que isso até mesmo seja possível.

O Facebook, por exemplo, estaria pretendendo ampliar de forma significativa a proteção das mensagens enviadas pelo Messenger, o que significaria renovar a criptografia da própria rede social. No WhatsApp, a companhia também deve fazer mudanças, aplicando às mensagens de voz os mesmos protocolos e mecânicas usadas hoje nas de texto, tornando-as impossíveis de serem visualizadas por outros que não os envolvidos na comunicação.

Com a ordem judicial e a polêmica que se seguiu, o Google também teria começado a trabalhar mais rápido e estaria prestes a lançar um serviço de criptografia para seus serviços de mensagens e e-mails. O projeto está em andamento na empresa há alguns anos e fecharia ainda mais as portas para espionagem e ações como a do FBI, restringindo de forma ainda mais severa o acesso até mesmo da própria companhia às informações de seus usuários.

O Snapchat, sempre uma preocupação do ponto de vista da segurança por causa do caráter “safadinho” de muitas imagens publicadas, também estaria planejando mudanças em seu sistema de mensagens de texto. O mesmo valeria para o Twitter, que assim como o Google, também teria um projeto de criptografia pesada em andamento e que ainda não havia se tornado realidade por ser pouco amigável ao usuário. A pressão do governo, entretanto, mudou tudo isso.

São políticas que colocam as companhias em uma rota de colisão direta com o governo. O presidente Barack Obama, que em discursos já defendeu a liberdade individual dos usuários no que toca a tecnologia, também criticou esse movimento. Para ele, “criptografia demais” pode significar que qualquer pessoa está andando “com um banco suíço no bolso” e o que começou como uma iniciativa para trazer mais proteção aos cidadãos pode acabar se voltando contra eles quando as informações também não podem ser usadas em investigações.

Ao mesmo tempo em que dificultam o acesso governamental às informações de seus usuários, empresas de tecnologia como o Facebook e o Twitter também trabalham junto ao governo para impedir a proliferação de conteúdo terrorista em suas redes. O principal alvo aqui é o Isis, que utiliza as plataformas para recrutar novos membros e divulgar informações. Enquanto para as companhias isso é tudo o que elas podem fazer, para o governo está longe do suficiente.

As tensões chegaram até mesmo ao Brasil. No começo de março o vice-presidente do Facebook para a América Latina, Diego Dzodan, foi preso em São Paulo após uma recusa do WhatsApp em entregar informações que pudessem ajudar em uma investigação sobre tráfico de drogas. Na época, a empresa taxou a ação de exagerada e o mensageiro disse que, além de operar de maneira independente, não armazena as informações pedidas em seus servidores, o que a impossibilita de cumprir esta e qualquer outra ordem do tipo.

Fonte: Business Insider