Escola chinesa usa câmeras com reconhecimento facial para monitorar alunos

Por Wagner Wakka | 22 de Maio de 2018 às 09h54

Uma escola chinesa adotou um novo sistema de ensino chamado por eles mesmo de “sistema inteligente de gerenciamento de comportamento em sala de aula”. Na verdade, trata-se de um conjunto de câmeras com capacidade de reconhecimento facial em tempo real que captura expressões e movimentos dos estudantes e, por análises de dados, garante que eles prestem atenção ao conteúdo.

Esse método foi aplicado na escola de ensino fundamental Hangzhou No. 11, localizada na cidade chinesa de Hangzhou. “O sistema coleta apenas as expressões faciais e as informações de comportamento dos alunos. Isso pode ajudar a melhorar as interações entre professores e estudantes", acredita o vice-diretor da escola, Zhang Guanqun, em entrevista à Reuters.

Além disso, o colégio ainda se vende como um ambiente tecnológico com taxa de um laptop por estudante, conforme mostra o site oficial. “O aprendizado em sala de aula é totalmente ‘conectado’ no HIS [Hangzhou International School] . Com o compromisso de uma iniciativa de laptops 1 para 1 nas séries 5 a 12, os alunos recebem um Apple MacBook como um dos recursos educacionais necessários e o campus inteiro fornece acesso sem fio para a comunidade HIS”, diz o portal.

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Além de vigiar o que os alunos estão fazendo, como diferenciar se estão prestando atenção na aula, lendo ou mesmo dormindo, o sistema inteligente de monitoramento é capaz de dizer se eles estão satisfeitos, felizes ou com sentimento de repulsa sobre um determinado professor ou conteúdo. Além disso, a escola também dá uma nota à cada aluno, que é passada ao professor e considerada no boletim dos estudantes.

Controvérsia

Este sistema digno de Black Mirror é oriundo de uma empresa de segurança chamada Hikvision Digital Technology, a maior fornecedora de equipamentos de câmera de vigilância do mundo. A empresa também já trabalhou junto à escola para o desenvolvimento de inteligência artificial voltada para sala de aula. O equipamento tem capacidade de monitorar o rosto de cada indivíduo em intervalos de 30 segundos.

A proposta é ter um sistema mais individual de avaliação e desempenho, mas também gera preocupação sobre a liberdade dos estudantes. Vale lembrar que tal sistema já é utilizado no país para contenção de crimes.

Embora estejamos falando de um país cuja política pode ser considerada ditatorial, o monitoramento estudantil de forma tão precisa levanta receio na população local, que vê a tecnologia como uma forma de cerceamento político e perseguição a dissidentes do governo.

Segundo a Reuters, a novidade tem causado questionamentos em redes sociais do país, como o Weibo. “Isso é um campo de concentração? Eles são crianças, não o alvo da ditadura”, escreveu um usuário chinês.

Contudo, em entrevista, o vice-diretor da escola disse que o sistema passou por um período de testes de um mês e que foi bem recebido pelos alunos. Desde que foi implantado, o sistema também ajudou a "melhorar significativamente" o comportamento dos alunos.

Fonte: Reuters, HIS

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