Coreia do Norte diz ter realizado teste bem-sucedido com bomba de hidrogênio

Por Redação | 06 de Janeiro de 2016 às 11h29
photo_camera Foto: Divulgação

Para quem acreditava que a Coreia do Norte era apenas mais uma piada moderna, o governo de Kim Jong-un acaba de deixar todo o mundo em alerta após anunciar a realização de um teste bem-sucedido com uma bomba de hidrogênio. A confirmação foi feita pela TV estatal norte-coreana na madrugada desta quarta-feira (06) e levou mais uma vez as atenções de todos ao pequeno país asiático.

Enquanto muita gente ainda duvida da veracidade do anúncio feito pelo governo ditatorial, a verdade é que o perigo e o medo são reais. Poucas horas antes do pronunciamento do governo norte-coreano, os seus vizinhos ao sul relataram um terremoto descrito como não natural, ou seja, produzido artificialmente por ação humana. O tremor de 5.1 na Escala Richter foi detectado na região próximo de Punggye-ri, local onde a Coreia do Norte costuma realizar seus testes nucleares.

Ainda segundo o regime local, o teste foi ordenado pelo próprio Kim Jong-un, que declarou que a sua nação tem o direito legal de ter bombas de hidrogênio, alegando que o armamento será usado para se defender contra os Estados Unidos, que também teriam armas nucleares maiores e em maior quantidade. Além disso, o comunicado oficial destacava que o equipamento utilizado neste teste era uma miniatura, ou seja, o país já tem condições de usar algo em maiores proporções.

Coreia do Norte

Diante disso, tanto a Coreia do Sul quanto o Japão se posicionaram em alerta e terminantemente contra a situação norte-coreana. Além de condenar os testes, o primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, definiu toda essa complicação como um grande desafio e disse que esse tipo de coisa não será tolerado. Além disso, os EUA prometeram reagir de maneira apropriada às provocações de Kim Jong-un e seus asseclas. A ONU convocou uma reunião de emergência para discutir o assunto nesta quinta-feira (07).

Este é o quarto teste nuclear realizado pelo país, mas o primeiro a supostamente obter sucesso. No comunicado feito pela TV estatal, o governo da Coreia do Norte disse que o resultado obtido nesta quarta-feira foi fruto da tecnologia local com a mão de obra do povo norte-coreano. E, com isso, o regime passa a se juntar ao chamado "grupo dos Estados nucleares avançados".

Como funciona uma bomba de hidrogênio

Apesar de não ser possível determinar se as declarações norte-coreanas são reais ou não por conta do isolamento da nação asiática, a verdade é que a preocupação e o clima de instabilidade se constrói neste momento. A bomba de hidrogênio — ou apenas Bomba H — pode ser até 50 vezes mais poderosa do que as bombas atômicas que vimos explodir no Japão durante a Segunda Guerra Mundial e a postura pouco amistosa da Coreia do Norte com seus vizinhos faz com que todos fiquem preocupados com o que está por vir, havendo armas nucleares ou não.

Todo esse perigo se dá pelo fato de que esse tipo de armamento utiliza a fusão do átomo em cadeia para provocar uma explosão bem maior do que a bomba atômica, que utiliza um processo de fissão nuclear. Em outras palavras, as ogivas que atingiram Hiroshima e Nagasaki em 1945 pegam um átomo e o quebram, fazendo com que ele vire outro elemento mais leve no processo. O resultado a gente já conhece, mas a indústria bélica encontrou uma forma de ser mais destrutiva e eficiente.

Bomba de hidrogênio

Assim, a bomba de fusão nuclear, como o próprio nome sugere, parte para o sentido oposto. No caso, ela pega dois átomos de hidrogênio e força uma fusão para que ele se transforme em um elemento mais pesado — no caso, o hélio. Apenas para ter uma ideia, esse é o mesmo processo que acontece no Sol, que gera energia a partir dessa mesma transformação. Isso faz com que a explosão dessa arma seja quase como o surgimento de um pequeno Sol.

Para que essa fusão aconteça, é preciso de uma temperatura gigantesca, proveniente de equipamento nuclear utilizado na fabricação das ogivas. Em outras palavras, é quase como se ela tivesse uma bomba atômica "clássica" dentro dela que serviria de gatilho para a fusão dos isótopos de hidrogênio. Desse modo, essa explosão primária faz com que os átomos se juntem para a criação de um novo elemento, mais pesado, o que gera uma enorme quantidade de energia no processo. E é desse poder de fogo que as armas de aproveitam.

Por conta disso, a construção desse tipo de armamento é bastante complexa. Os países que dominam a construção de uma Bomba H precisam dominar processos de enriquecimento de urânio e outros materiais radioativos, além de dominar a tecnologia para fazer tudo isso funcionar corretamente. É isso que faz com que, se confirmada, a conquista da Coreia do Norte ser um avanço e tanto, justificando toda a preocupação da ONU e demais países da região.

Via: Mashable, Gazeta do Povo, G1, Nuclear Weapon

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