Como a virtualização móvel pode resolver os problemas do BYOD

Por Colaborador externo | 28.05.2015 às 07:42

Por André Alves*

Atualmente, para muitos usuários, a forma de utilização da tecnologia é definida pelos dispositivos móveis. Seu principal aparelho tecnológico não é um desktop ou um laptop; é um tablet ou um smartphone. Se compararmos o número computadores vendidos com o de smartphones, a tendência é clara. Analistas estimam que, no terceiro trimestre de 2014, foram vendidos cerca 79.4 milhões de computadores – comparados com 301 milhões de smartphones no mesmo período. As corporações estão aceitando o novo rumo e, ao invés de guardar seus dados em um disco rígido ou USB, armazenam as informações na nuvem para que os usuários possam acessá-las de acordo com suas necessidades, em qualquer lugar.

Isso muda a relação que os departamentos de TI têm com os funcionários. No passado, costumava-se dar aos profissionais computadores cujo controle central era mantido pelo TI. No entanto, para muitas organizações, essa política não é aceita: dispositivos móveis são considerados “pessoais”; computadores não.

O resultado é o aumento do chamado BYOD, (Bring Your Own Device) algo como traga seu próprio dispositivo, em tradução livre. Usuários compram seus próprios aparelhos e são responsáveis por eles, mas as empresas pagam pelo menos uma parte dos custos. Na teoria, todo mundo fica feliz: os colaboradores têm a liberdade de usar o equipamento que escolherem, a companhia reduz custos e aumenta a utilização de novos e mais eficientes sistemas de TI. O que poderia dar errado?

Infelizmente, o BYOD pode vir a não ser um sonho, e, sim um pesadelo. Dados corporativos acabam sendo misturados com pessoais e, assim, aumentam os riscos de vazamentos de informação. Os dispositivos podem também ser comprometidos e usados como alvo para atingir o restante da organização. Ao invés de traga o seu próprio dispositivo, o BYOD pode se transformar em traga o seu próprio desastre.

Algumas tentativas foram feitas no sentido de tentar sanar esses problemas, mas sem sucesso efetivo. Tentaram separar o que era pessoal do que era relacionado ao trabalho no dispositivo, mas, tanto para o usuário como para a empresa, isso dificultou sua utilização.

Então, o que seria uma boa solução para esse problema aparentemente incurável? Podemos olhar para o mundo dos computadores com uma possível solução. Em uma estrutura de computador virtual (VDI), usuários podem acessar máquinas virtuais rodando no servidor. Por que não podemos fazer algo semelhante para os dispositivos móveis?

Vamos chamá-lo de Infraestrutura Virtual Móvel (Virtual Mobile Infrastructure, ou VMI). O usuário do telefone não fará nada além de acessar um sistema operacional virtual móvel que roda nos servidores da empresa. Por ser essencialmente o mesmo sistema operacional com que estão acostumados, a aceitação dos colaboradores deve ser elevada.

O mais importante, porém, é que, uma vez implantada adequadamente, a solução de VMI não deixaria os dados em risco no dispositivo do usuário. Existem muitas indústrias em que isso seria útil como, por exemplo, a da medicina, que não correria o risco de dados médicos sensíveis deixarem os servidores do hospital. Nos setores em que há restrições regulatórias sobre onde e como os dados podem ser acessados, a estrutura pode permitir que os funcionários tenham mais flexibilidade para trabalhar.

A VMI é uma opção que as empresas que estão buscando políticas de implementação de BYOD deveriam seriamente considerar. A prática traz uma série de benefícios para as empresas mas, ao mesmo tempo, riscos. A VMI ajuda a gerenciar esses riscos para que as empresas possam usufruir plenamente do BYOD, reduzindo eventuais problemas.

*André Alves é especialista em segurança digital da Trend Micro