Cinco milhões de pessoas têm PCs infectados com adwares, diz Google

Por Redação | 18 de Maio de 2015 às 09h42

Por serem uma praga virtual que não necessariamente interfere no funcionamento do computador ou rouba dados, os adwares costumam ser minimizados como ameaça. Mas o Google quer deixar claro que eles são, sim, um perigo e que essa ideia levou a números absurdos obtidos junto à Universidade da Califórnia, Berkeley. De acordo com um estudo, cinco milhões de pessoas em todo o mundo estão infectadas com esse tipo de malware.

Falando em mais detalhes, requisições oriundas desse tipo de software foram encontradas em 5,3 milhões de endereços de IP que trafegaram pela internet entre junho e outubro de 2014. Esse total representa 5,5% de todos os usuários que passaram pelo Google no período, uma vez que o levantamento é feito a partir de usuários que passaram pela ferramenta de busca para acessar sites ou utilizaram qualquer serviço da empresa enquanto conectados.

Os adwares são uma categoria à parte no mundo dos malwares. Eles se instalam nos computadores das vítimas e passam a exibir anúncios onde eles, na verdade, não existem. Em outros casos, também são capazes de substituir propagandas legítimas dos sites por aquelas controladas pelos hackers e, em todas as situações, os ganhos oriundos dos cliques são revertidos para os responsáveis pelas soluções maliciosas. É uma situação que preocupa mesmo o Google, pois interfere diretamente em suas receitas de publicidade, hoje uma das maiores fontes de renda da empresa.

A pesquisa arruma problemas para a cabeça da Lenovo, também. O Superfish, adware encontrado em computadores novos da marca asiática, é a praga desse tipo mais popular da rede. A pesquisa não aponta o dedo diretamente para a fabricante chinesa, mas não tem como não pensar que boa parte dos resultados tem a ver com as instalações feitas em notebooks pela própria companhia, sem consentimento dos usuários e, muitas vezes, sem que eles saibam que isso está acontecendo.

Outros nomes bastante comuns são o Jollywallet, o Crossrider e o Netcrawl. Todos, assim como o próprio Superfish, operam como empresas legítimas, muitas vezes se associando a desenvolvedores de softwares gratuitos, aproveitando-se dos grandes números de download para incrementar a base instalada.

O estudo, porém, vai além e, de acordo com Vern Paxson, professor da Universidade de Berkeley e um dos responsáveis pela pesquisa, também recai em questões de liberdade de informação. Adwares e outras pragas do tipo controlam o fluxo de informação que é exibido aos usuários e, sendo assim, acaba indo contra valores como a liberdade de expressão ao tentar moldar a forma como os usuários interagem com a rede.

Em resposta aos números, o Google evidenciou diversas iniciativas que vem tomando para conter o problema. Desde abril, por exemplo, a empresa não aceita mais anúncios de empresas que desenvolvem softwares gratuitos populares, como o VLC e o WinZip, que apesar de entregarem o que prometem, possuem pacotes de instalação que trazem adwares, barras de ferramentas e outras soluções do tipo que podem ser instaladas pelos usuários que não leem o que está escrito na tela.

Esses acordos são uma boa alternativa para produtoras de software, que podem manter seus aplicativos populares funcionando. Na mesma medida, se aproveitam dos altos números de downloads para vender soluções de publicidade, obtendo a renda que, originalmente, viria da venda das soluções. Aparentemente, é um negócio em que todos ganham - só que os usuários, nem tanto, já que, apesar do acesso liberado aos softwares consagrados, acaba tendo que lidar com pragas maiores caso seja desatento.

Fontes: Google, The Verge

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