Brasil pediu à Apple informações sobre mais de 5 mil iPhones em 2018

Por Rafael Rodrigues da Silva | 04 de Julho de 2019 às 10h12
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Nesta quarta-feira (3) a Apple divulgou os resultados de seu Relatório de Transparência relativos ao segundo semestre de 2018. O documento mostra quantas vezes a empresa foi procurada por países pedindo que ela divulgasse informações sobre aparelhos e contas de usuários específicos, normalmente como parte de investigações criminais.

No período entre julho e dezembro de 2018, o governo brasileiro fez 491 requisições de acesso a dados de 5675 aparelhos diferentes. Os motivos para esses pedidos são variados, mas normalmente envolvem investigações policiais de aparelhos envolvidos em esquemas de fraude financeira.

Das 491 requisições feitas pelo governo do Brasil no período, a Apple acatou o pedido de 367 delas - equivalente a 75% do total. Os pedidos recusados pela empresa foram aqueles feitos sem uma justificativa plausível para a liberação dessas informações (por exemplo, no caso de uma investigação quando desconfia-se que alguém pode estar participando de um esquema de fraude, mas não há nenhum indício ou prova de que ele faça parte daquilo).

Dados sobre o Brasil no Relatório de Transparência da Apple (Imagem: Apple)

Entre os países da América, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos (com pouco mais de 4.600) no número de requisições feitas à Apple — mas com um enorme número de requisições a mais do que o terceiro colocado, o Chile, que no período fez apenas 33.

Já ao analisar os dados anuais, é interessante notar como aumentou a quantidade de requisições feitas pelo governo do país nos últimos quatro anos. Em 2014, o Brasil havia feito apenas pouco mais de 30 requisições à empresa ao longo de todo o ano. Em 2015, esse número mais do que dobrou, chegando a mais de 80 requisições, atingindo a marca de mais de 200 em 2016, mais de 500 em 2017 e alcançando as cerca de 900 requisições feitas durante todo o ano de 2018.

Requisições feitas pelo governo brasileiro no ano de 2014 (Imagem: Apple)
Requisições feitas pelo governo brasileiro no ano de 2018 (Imagem: Apple)

Outra coisa interessante a se notar é que, pela primeira vez, a Apple divulgou no relatório os países que pediram a remoção de algum aplicativo da App Store. A medida, que normalmente é um sinal de governo autoritário e controlador (como a China, a campeã no pedido de remoção de apps) espanta por ter sido usada também por governos que são vistos como modelos de democracia, como a Holanda, a Noruega e a Suíça.

Em todos os três casos, os pedidos para retirado de aplicativos da loja da Apple foram feitos por conta de investigações sobre apps de aposta ilegais. Incrivelmente, todos países que pediram a remoção de algum aplicativo da loja da Apple estão situados na Ásia, na Europa ou na África, e não há nenhum país de nenhuma das três Américas que efetuou qualquer pedido do tipo.

O relatório completo pode ser acessado direto no site da Apple.

Fonte: Apple

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