Brasil é o país que mais sofre ataques de ransomware na América Latina

Por Redação | 16 de Março de 2016 às 12h20

Um estudo recente sobre a segurança da informação nas empresas mostra que apenas 34% das corporações brasileiras admitem que o criptomalware, também conhecido como ransomware, representa uma ameaça séria para os dados de seus funcionários e clientes. A pesquisa foi realizada pela Kaspersky Lab em conjunto com a B2B Internacional e entrevistou mais de 5,5 mil especialistas em TI de 26 países no mundo.

Segundo o relatório, os ataques de ransomware - aqueles em que o usuário tem seu sistema infectado e precisa pagar um valor de "resgate" para ter o acesso restabelecido - continuam afetando gravemente as empresas porque os cibercriminosos descobriram que esse tipo de malware é bastante lucrativo. Até o momento, estima-se que apenas o Cryptolocker já tenha infectado mais 234 mil computadores ao redor do globo.

Algumas das consequências mais comuns provocadas por ransomwares incluem perda temporária ou permanente de informações; interrupção de serviços regulares (lucro cessante); perdas financeiras associadas à restauração do sistema, custos legais e de TI; danos à reputação da empresa e perda de confiança dos clientes.

Várias empresas (grandes ou pequenas), admitem que pagam esse tipo de resgate com frequência, pois estão mais suscetíveis a esses ataques. Da mesma forma que outros tipos de malware, ele entra na rede por meio de e-mails, anexos maliciosos ou links para um site comprometido que funcionários ingênuos abrem, baixam ou clicam. Nenhum sinal adverte os incautos de que foram infectados até o recebimento do pedido de resgate.

Em relação à América Latina, os países mais afetados pelos ransomwares são Brasil, Costa Rica, Chile, Argentina e Colômbia. Para a Kaspersky, se a companhia não possuir uma segurança de bloqueio implementada, o ransomware descobrirá uma maneira de invadi-la.

"Empresas financeiras, agências do governo, instituições acadêmicas e até hospitais; qualquer organização pode ser vítima de um ransomware. A principal motivação por trás dessas campanhas de extorsão é o dinheiro, seja golpes de bloqueio simples, que apenas travam os dispositivos, mas não criptografam as informações, até aquele que os sequestros criptografados se mostraram muito mais lucrativos para os cibercriminosos", afirma Fabio Assolini, pesquisador sênior de segurança da Kaspersky Lab no Brasil.

Segundo o pesquisador, as campanhas de ciberespionagem afetaram especialmente empresas de pequeno e médio porte, propondo um novo cenário em relação ao cibercrime. Além disso, o especialista acredita que, com o sucesso das moedas virtuais (como a Bitcoin, por exemplo), esse "negócio" virou um método mais lucrativo para os cibercriminosos.

De acordo com a Kaspersky, somente uma solução de segurança confiável em vários níveis é capaz de deter o ransomware. Também é importante destacar a necessidade de ter um sistema operacional original e atualizado. Para se ter uma ideia, metade dos softwares em utilização no Brasil são piratas, o que justifica o país estar na primeira colocação de países da América Latina mais afetados por essa ameaça.

"A melhor maneira de proteger dados e ativos da empresa é adotar amplas medidas de segurança cibernética que abranjam desde a infraestrutura e o armazenamento até as redes móveis, junto com a conscientização e o treinamento dos funcionários. Por outro lado, é essencial fazer backup dos dados regularmente para que a empresa não se encontre na posição nada invejável de ter de escolher entre pagar o resgate ou perder seus dados", explica Assolini.

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