Biometria: o que esperar dela para o futuro

Por Colaborador externo | 04 de Novembro de 2015 às 19h34

Por Elizabete Brandão*

Desde as civilizações mais antigas, a humanidade sempre buscou formas de identificação. Marcas de impressões digitais em objetos de cerâmica, informações de características físicas como altura e cor dos olhos para reconhecer mercadores, entre outros métodos, já desenhavam uma demanda recorrente de reconhecer pessoas. Por isso, a biometria como a conhecemos hoje é fruto de pesquisas realizadas desde o século XVIII e é amplamente difundida no mundo em que vivemos. Mas, o que esperar em termos de inovação tecnológica para os próximos anos?

Diferentes ofertas nesse segmento estão disponíveis no mercado: reconhecimento por veias da palma da mão, impressões digitais, características faciais, íris e voz. Infinitamente mais seguras do que as senhas e cartões, que podem ser perdidos ou roubados, elas partem de um conceito muito interessante de identificação, que consiste em “algo que você é”, o que a torna impossível de ser esquecida ou levada durante um assalto, por exemplo. Ainda, some isso ao fato do crescente comportamento de carregar cada vez menos coisas conosco e a necessidade de reduzir erros no processo de identificação. O resultado é o crescimento do uso da biometria em diferentes ambientes, como mercado financeiro, identificação de pacientes em hospitais, RH, turismo, setor público, entre outros.

O instituto de pesquisas WinterGreen Research divulgou, em outubro, um amplo estudo de comportamento, estratégia e previsões para o uso da biometria globalmente até 2021 (Biometrics: Market Shares, Market Strategies, and Market Forecasts, 2015 to 2021). Segundo ele, este mercado movimentou cerca de US$ 7 bilhões em 2014 e, até o final do período estudado, movimentará US$ 44,2 bilhões.

Um dos fatores mais importantes levado em consideração ao adotar a autenticação biométrica de usuários é a precisão. Nesse quesito, uma das soluções mais seguras do mercado consiste na leitura das veias da palma da mão. O método captura o mapa das veias usando uma luz em uma frequência próxima ao infravermelho, que não é nociva à saúde e é, inclusive, utilizada na medicina. Ainda, conta com a vantagem de ser higiênica, já que o contato físico com o dispositivo não é necessário.

Além disso, a tecnologia exige que o sangue esteja em circulação, diminuindo assim a chance de fraudes, como a replicação de uma impressão digital por meio de moldes de silicone. Ela também não é afetada por condições climáticas como calor ou frio intenso, algo que ocorre com as veias dos dedos.

A tecnologia continuará evoluindo para acompanhar as demandas dos mercados. Nos Estados Unidos, o reconhecimento pelas veias da palma da mão já auxilia – a partir de um banco de dados – na identificação de pacientes que chegam desacordados em prontos socorros, agilizando o atendimento e excluindo riscos de uso de medicação indevida.

Exemplo da evolução contínua são os esforços para aumentar a capacidade da base de dados para identificação, possibilitando cada vez mais o reconhecimento de pessoas em um cenário conhecido como autenticação por identificação (1:N), no qual o usuário não utiliza nenhum documento e o sistema o reconhece a partir de seu padrão de veias.

É possível que, no futuro, a tecnologia nos permita ser identificados em qualquer parte do mundo, com bancos de dados globais que facilitem a realização de transações financeiras – como pagamentos sem cartões -, viagens, entre muitas outras possibilidades. O que posso afirmar é que a biometria estará cada vez mais presente em nosso cotidiano, nos proporcionando mais segurança e facilidade para os afazeres do dia a dia.

*Elizabete Brandão é Coordenadora da área de PalmSecure da Fujitsu do Brasil.

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