Bancos de dados de reconhecimento facial cobram por consulta e crescem no Brasil

Por Felipe Demartini | 08 de Agosto de 2018 às 10h47
Reprodução

O reconhecimento facial é a mais nova arma das empresas de varejo e do setor financeiro para evitarem golpes, tornando-se um setor com amplo potencial de crescimento e movimentação de centenas de milhares de reais por mês, com ainda mais dinheiro pelo caminho. É um segmento da tecnologia controlado por bancos de dados privados por biometria, que cobram por consulta e têm como clientes algumas das principais lojas e companhias do país.

São fintechs como Nubank e Neon, varejistas como Ponto Frio e Casas Bahia, operadoras de planos de saúde como a Unimed e tantas outras marcas que podem, em algum momento de uma compra ou assinatura de um contrato, solicitarem a foto de seus clientes. A ideia não é enriquecer o cadastro ou trazer mais informações a ele, mas sim comparar a imagem com o banco de dados de reconhecimento facial de empresas como a CredDefense, Certibio e Acesso Digital, uma das mais antigas do segmento.

As bases de dados não são vendidas e, como dito, as companhias pagam por consulta, com valores que podem variar desde R$ 0,10 a R$ 4,70, dependendo da fornecedora do serviço, o volume de consultas e o tamanho da integração necessária entre os sistemas de um varejista e o banco de dados. Quem utiliza a tecnologia com maior frequência, normalmente, paga menos, mas os preços e condições variam.

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Na Certibio, por exemplo, são 70 milhões de pessoas registradas, em um banco de dados que a empresa afirma ser usado por 90% das fintechs e varejistas, além de 30% das empresas de telecomunicação em operação no Brasil. E diante do fato de todos esses mercados estarem em amplo crescimento, a oportunidade é grande para que as empresas do setor aumentem de tamanho na mesma medida.

Toda a tecnologia serve, basicamente, para garantir autenticidade, comprovando que o futuro cliente realmente é quem diz ser, além de evitar fraudes ou golpes. Após a comparação, o sistema apresenta um coeficiente de semelhança que vai de zero a 100% - obviamente, quanto maior o número, maior a possibilidade de a pessoa ser quem é. A indicação da empresa é que, quando este total estiver acima de 93%, restam poucas dúvidas quanto à veracidade da informação passada; abaixo de 31%, entretanto, a maior chance é do exato contrário.

A privacidade é importante para quem trabalha neste ramo, com o cliente ou interessado em um serviço sempre estando ciente de que seus dados estão sendo coletados para fim de verificação e segurança. Além disso, normas relacionadas ao parcelamento permitem o compartilhamento de dados entre varejistas e instituições de crédito e verificação, enquanto o banco de dados do Serviço de Processamento de Dados (Serpro) também pode ser utilizado para esse fim, reunindo fotos de carteiras de motorista do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), por exemplo, e dados oriundos de declarações de imposto de renda.

Tudo, é claro, dentro da lei e, muitas vezes, com informações fornecidas pelos próprios usuários. Na medida em que os nomes do setor se consolidam mais, a tendência é que a tecnologia também se torne mais popular, deixando de ser apenas uma característica interessante do iPhone X para se tornar parte integrante de processos de cadastro, financiamento e aberturas de contas correntes.

Fonte: UOL Tecnologia

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