Autoridades voltam a dizer que criptografia do iPhone dificulta investigações

Por Redação | 10 de Julho de 2015 às 17h12

Em mais um episódio de um toma lá dá cá que envolve governo, agências de segurança, especialistas e usuários, representantes de agências de proteção à lei nos Estados Unidos voltaram a afirmar que a criptografia existente nas versões mais recentes do iOS pode ser um empecilho durante investigações policiais.

As declarações foram feitas por representantes do FBI, do Departamento de Justiça e também do gabinete do procurador geral de Manhattan durante uma audiência do Senado americano. Na ocasião, mais uma vez, o grupo pediu para que o governo crie normas e obrigue a Apple e outras empresas de tecnologia a criarem backdoors exclusivas para acesso pelos representantes da lei, de forma a facilitar o acesso a dados importantes para investigações.

Apesar de não ter apresentado casos em que a Maçã impediu o andamento de investigações ao se recusar a entregar informações de seus usuários, o procurador geral de Nova York, Cyrus Vance, disse que a polícia da cidade tem pelo menos 74 aparelhos em seu estoque de provas, que podem conter evidências inacessíveis aos policiais devido às proteções empregadas.

Além disso, ele citou um caso de assassinato em que a vítima filmou o autor dos disparos antes de ser atingida. Como o iPhone dela ainda rodava o iOS 6, as autoridades foram capazes de extrair o vídeo e chegar ao responsável. “Se fosse o iOS 8, as provas e a senha teriam morrido com ela”, concluiu Vance.

Os argumentos desta semana se unem a uma carta aberta postada na última semana pelo diretor do FBI, James Comey, na qual ele afirma que os mecanismos de proteção empregados pela Apple podem acabar colocando os americanos na mira do ISIS. Segundo ele, iPhones e iPads estão sendo cada vez mais usados por terroristas justamente devido à segurança que possuem e a garantia de que, caso os aparelhos sejam interceptados, eles dificilmente poderão ser acessados pelas autoridades.

Por outro lado, notáveis especialistas em segurança digital já se posicionaram no exato oposto desse espectro, afirmando que a existência de backdoors em prol da segurança acabará deixando todos menos seguros e sujeitos, inclusive, a ataques terroristas. Para um grupo composto por criadores de protocolos de criptografia e segurança, apenas a noção de que portas de entrada desse tipo existem pode acabar se transformando em uma verdadeira caça ao ouro para hackers e criminosos digitais.

As empresas também se posicionam contra a abordagem, com a própria Apple já tendo enviado uma carta aberta ao presidente americano Barack Obama pedindo que ele não aceite as propostas que impõem as backdoors. Apesar da pressão dos próprios órgãos governamentais, a administração permanece calada sobre o assunto, sem sinalizar para que lado irá tomar uma decisão, se existir.

Fonte: Cult of Mac

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