Aumento no número de dispositivos conectados gera mais brechas de segurança

Por Redação | 08.06.2017 às 18:04
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Temos visto uma ameaça crescente no que diz respeito a ataques cibernéticos, como o recente WannaCrypt, que promoveu um ransomware de proporções internacionais. E a ploriferação de dispositivos conectados à internet somente gera mais brechas de segurança para que essas invasões continuem crescendo.

Especialistas indicaram ao Governo Federal que ainda há uma série de passos necessários para que uma estratégia digital brasileira seja viabilizada para garantir a segurança de dados. E esses passos envolvem desde educar a população digitalmente falando, até a criação de políticas novas.

Para Giuseppe Marrara, diretor da Cisco, “estamos vivendo um momento em que falamos de internet das coisas e como ela vai criar um número grande de dispositivos, além da digitalização dos negócios, transformando em processos digitais o que era analógico, o que aumenta a superfície de ataque”. O executivo também acredita que “em muitos casos, os dispositivos serão tão simples que não terão como se defender”.

Em setembro de 2016 houve o primeiro grande ataque na internet das coisas, por meio do worm Mirai, que ressurgiu em 2017 infectando um grande número de câmeras de segurança. E, como a pressão econômica é para que esses dispositivos sejam o mais barato possível, é de se esperar que sejam vulneráveis a ataques. “Estamos falando de dispositivos que chegam rapidamente a menos d US$ 1, dispositivos que terão um único chip. Quer dizer que serão bilhões e bilhões de dispositivos de baixo custo, que estarão sempre conectados e com capacidade de funcionalidade, mas que são armas”, acredita Jonny Doin, presidente da GridVortex Systems. Ele completa dizendo que “o principal desafio é que esse processo iminentemente civil acrescente uma camada mínima de segurança para que sejam menos capazes de se transformarem em armas efetivas”.

De acordo com dados divulgados pela Cisco, cerca de 18% dos ataques cibernéticos que acontecem hoje são promovidos por governos, sendo que 51% deles usam malwares e 81% se valem de fraudes de identidade. Ainda, ataques DDOS cresceram 22% em um ano. “Isso é o suficiente para derrubar qualquer rede”, explica Marrara. Há previsões de que esse tipo de ataque deve acontecer 3,1 milhões de vezes até 2021.

É preciso se preocupar com a segurança de uma vez por todas

Outro agravante para esse cenário preocupante são os próprios consumidores, que nem sempre demonstram ter a segurança como parte de suas prioridades. Segundo Alexandre Godino, do Centro de Defesa Cibernética do Exército, “há uma avidez dos usuários em consumir tecnologia, mas muitas vezes eles não estão preocupados com a segurança, fazendo com que a gente tenha todos esses dispositivos, como roteadores e câmeras, que estão participando desses ataques”.

Para começar a mudar essa situação, “o desafio é educar a sociedade para essa segurança”, acredita Jorge Fernandes, professor de computação na UnB. E Lisandro Granville, presidente da Sociedade Brasileira de Computação, concorda. Ele afirma que cursos de graduação ainda tratam a segurança como uma disciplina à parte, dizendo que “a segurança não faz parte hoje dos fundamentos que são passados aos alunos, e quando são, isso é feito de forma isolada”.

Fonte: Convergência Digital