Aumentam os golpes que usam dados de pessoas mortas; veja como se proteger

Aumentam os golpes que usam dados de pessoas mortas; veja como se proteger

Por Felipe Gugelmin | Editado por Claudio Yuge | 09 de Agosto de 2021 às 20h00
Divulgação/Marcos Santos/USP Imagens

Na esteira dos megavazamentos de dados que afetaram a população brasileira em 2021 — o mais recente datado de julho deste ano —, crescem os casos em que criminosos usam dados sensíveis para ganhar vantagens indevidas. Segundo um levantamento feito pela empresa especializada em identidade virtual Idwall, nem mesmo os mortos são poupados, e golpes envolvendo o uso de seus dados pessoas crescem em 33% este ano.

A empresa afirma que essa é uma tendência que já vinha em alta no país, tendo aumentado em 200% entre 2018 e 2020. Usando informações como nome completo, CPF e endereço das vítimas, os criminosos conseguem sacar benefícios como o FGTS e o auxílio emergencial, bem como criar contas bancárias, solicitar empréstimos e realizar compras online.

Segundo a Idwall, em uma das tentativas de golpe o mesmo CPF de uma pessoa falecida foi usada em 73 empresas diferentes. Segundo Anderson Torres, chefe de segurança da Idwall, sempre que há um pico no número de golpes é possível relacioná-los a eventos do mundo real. Entre abril e julho, a quantidade de ações envolvendo dados de pessoas mortas cresceu e chegou a um pico de 0,11% da base da empresa — normalmente, elas correspondem a somente 0,02% dos casos registrados.

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Imagem: Divulgação/Gov.br

Os golpes que envolvem o uso de informações de pessoas falecidas fazem parte de um cenário generalizado do crescimento de atividades criminosas online. Dados da proScore mostram que chegaram a 58 mil as tentativas de fraude nos seis primeiros meses de 2021, e a empresa de segurança Kaspersky já aponta o Brasil como o líder mundial dos golpes de phishing, nos quais links maliciosos se disfarçam como conteúdos legítimos.

Como se proteger?

Enquanto os vazamentos de dados afetam toda a população brasileira, no caso de pessoas falecidas se torna um pouco mais complicado descobrir o que está acontecendo rapidamente. Para Torres, da Idwall, empresas devem apostar em métodos de segurança adicionais para garantir que uma pessoa está usando somente dados pertencentes a ela — entre as soluções possíveis está o uso de biometria facial em tempo real.

Outros recursos que evitam o uso indevido de documentos são a identificação monitorada, quando um aplicativo reconhece a foto da pessoa junto a uma identificação, e sistemas em que selfies são usadas para validar a identidade. Ao exigir uma camada adicional de autenticação junto ao número dos documentos, empresas podem se proteger e evitar a disseminação de novos golpes.

Também é necessário que familiares de pessoas falecidas garantam que os documentos pertencentes a elas tenham sido cancelados. O CPF, por exemplo, pode ser encerrado em unidades de atendimento da Receita Federal em casos nos quais o falecido não tem bens a inventariar — nos casos em que isso acontece, é preciso ter a Declaração Final de Espólio para que o cancelamento seja finalizado.

Mesmo quem não é falecido deve ter cuidado com golpes e adotar noções básicas de etiqueta digital para garantir sua segurança. Além de desconfiar de qualquer contato suspeito prometendo vantagens ou descontos em pagamentos, é preciso ficar atento para não compartilhar informações pessoais com desconhecidos e usar senhas únicas e fortes em todos os serviços digitais para evitar ser vítima de cibercriminosos.

Fonte: Extra, Ministério da Economia

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