As dicas de liderança e cibersegurança do General norte-americano Colin Powell

Por Rafael Romer | 14 de Outubro de 2015 às 18h05
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

De Washington DC

Apesar de já estar aposentado há mais de 20 anos de sua carreira militar, o general e ex-Secretário de Estado dos Estados Unidos durante o governo de George Bush, Colin Powell, continua ativo no dia-a-dia do país. Além de ainda ser consultado para alguns assuntos de governo ou militares, Powell se arrisca hoje até no mundo da tecnologia — desde o ano passado, passou a fazer parte do conselho administrativo da empresa de nuvem Salesforce.com.

Em uma apresentação nesta quarta-feira (14) durante a conferência de cibersegurança da FireEye, em Washington, Powell compartilhou algumas de suas experiências de liderança com o que aprendeu durante os anos na carreira militar e vida política e o que está mudando na esfera global de segurança.

No começo dos anos 2000, Colin Powell foi um dos responsáveis pela adoção do e-mail como forma principal de comunicação nos órgãos do Departamento de Estado dos Estados Unidos, implementando mais de 44 mil novos computadores dentro de escritórios e embaixadas ao redor do mundo. O general conta, no entanto, que uma das maiores dificuldades da experiência foi lidar com as pessoas envolvidas, que tiveram que mudar completamente a mentalidade da forma como se comunicavam. "Nós tivemos que mudar o 'brainware' das pessoas, a forma como elas pensavam", brincou.

Mas quando o assunto são as redes sociais, o general ainda parece um pouco reticente quanto ao uso dessas ferramentas pelo Governo Norte Americano e pelo Presidente Barack Obama, que hoje já possui perfil próprio no Twitter e faz comunicados oficiais através da ferramenta e do Facebook. "Eu acho que é um pouco demais", disse na apresentação. "Eu não sei como qualquer sistema vai coletar tudo isso de uma maneira organizada".

Ele deixa uma sugestão para os líderes atuais de organizações: de todos os ativos da empresa, é preciso fazer uma triagem das informações e decidir o que deve ser protegido a todo o custo, e quem são os atacantes mais perigosos que podem ir atrás desses dados. "Se um ataque está vindo da China, isso é uma coisa, mas acho que os mais perigosos podem ser uns jovens no porão, que ninguém sabe onde estão", afirmou. "Faça tudo que você puder para proteger os seus sitemas e detectar quando algo estiver dando errado, então pule em cima antes que isso exploda".

Ao mesmo tempo, o general opina que também é necessário correr alguns riscos no processo de decisão. Ao público, Powell contou que criou uma espécie de "código" próprio de regras para como atuar nas tomadas de decisão. "A coisa mais importante de uma decisão é o tempo: você não quer tomá-la muito rápido, mas nunca deve estar atrasado", explicou.

Nesse meio tempo, é importante juntar o máximo possível de informações antes de fazer sua escolha. "Quando você tiver 40% de toda informação que você conseguiu, é hora de começar a pensar na decisão. Quando chegar aos 70%, é hora de tomar a decisão", opina. "Eu sempre confio no meu instinto, mas não é um chute: é um instinto informado".

Colin Powell

General Colin Powell se arrisca hoje até no mundo da tecnologia e desde o ano passado passou a fazer parte do conselho administrativo da empresa de nuvem Salesforce.com (foto: Rafael Romer/Canaltech)

*O repórter viajou a Washington DC a convite da FireEye

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