Apple x FBI: Google teme que conflito abra precedente para novos casos no futuro

Por Redação | 23 de Fevereiro de 2016 às 15h45

O caso envolvendo a quebra de criptografia de um iPhone 5c sob pedido do FBI parece estar só começando, e várias empresas, entre elas Twitter, Microsoft e Facebook, se posicionaram a favor da Apple. Agora, o Google deu seu parecer da situação e também indica estar do lado da gigante de Cupertino.

Em palestra no Mobile World Congress 2016, em Barcelona, na Espanha, o vice-presidente do Google e responsável do Android, Hiroshi Lockeimer, afirmou nesta terça-feira (23) que a indústria tecnológica precisa analisar com detalhes sua postura em relação à disputa legal entre a Maçã e o órgão governamental americano. Na opinião do executivo, se a dona do iPhone ceder ao requerimento das autoridades, poderá abrir um precedente para exigências da mesma categoria no futuro.

"Temos que achar um equilíbrio. Há uma nova área aqui que precisamos analisar. Se ocorrer uma vez, teoricamente pode se repetir em múltiplas ocasiões. E isso é exatamente sobre o que temos que refletir", disse.

Lockheimer explicou que esta é uma situação "delicada" porque não consiste em um requerimento legal de informação a uma companhia, mas na exigência de modificar o sistema operacional de um produto para burlar sua barreira de segurança e ter acesso aos dados armazenados no aparelho. "É um novo cenário legal que não tínhamos previsto, é necessário pensar minuciosamente", complementou.

O confronto da Apple com o governo dos Estados Unidos, que exige que ela desbloqueie um iPhone dos terroristas de San Bernardino, está gerando um grande debate na indústria tecnológica. Na semana passada, a empresa se negou a facilitar o acesso do governo ao dispositivo usado por um dos autores do tiroteio de dezembro na cidade californiana, no qual morreram 14 pessoas.

Ainda nesta semana, o diretor do FBI, James Comey, descartou a possibilidade de que o caso abra um precedente para futuras situações da mesma natureza. De acordo com ele, trata-se apenas de uma questão relacionada ao massacre de San Bernardino e também uma forma de fazer justiça para as vítimas e seus familiares. "Catorze pessoas foram mortas e muitas outras tiveram suas vidas e corpos arruinados. Nós lhe devemos uma investigação completa e profissional nos termos da lei", defendeu o diretor.

O presidente-executivo da Apple, Tim Cook, disse em e-mail enviado nesta segunda-feira (22) aos funcionários da companhia que aceitar esse pedido teria consequências "perigosas", pois deixaria aberta a porta para que tivessem acesso a qualquer iPhone. "O que está em perigo é a segurança de centenas de milhões de pessoas que cumprem com a lei e estabelecer um perigoso precedente que ameaça as liberdades civis de todo o mundo", destacou o CEO. "A Apple é uma empresa americana única. Não parece certo estar ao lado oposto do governo em um caso centrado nos direitos e nas liberdades dos quais o governo deveria nos proteger".

Fonte: EFE

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