Apple e Google suspendem monitoramento de comandos de voz feito por humanos

Por Felipe Ribeiro | 02 de Agosto de 2019 às 15h15

A Apple decidiu suspender globalmente o uso das gravações de voz da Siri depois que surgiram os relatórios de que funcionários contratados pela empresa monitoram os usuários para melhorar o Assistente sem que haja autorização para isso. Segundo informações do TechCrunch, a Maçã planeja lançar uma atualização de software para buscar o consentimento dos clientes antes de deixá-los participar do programa de melhoria de produtos.

"Estamos comprometidos em fornecer uma ótima experiência da Siri, protegendo a privacidade do usuário", disse a empresa, em comunicado. “Enquanto realizamos uma revisão completa, estamos suspendendo a classificação da Siri globalmente. Além disso, como parte de uma futura atualização de software, os usuários poderão optar por participar do processo",

Em atitude parecida, a Google disse que vai parar de escutar e transcrever as gravações do Google Assistente por três meses na União Europeia segundo os reguladores de dados alemães. "O uso de assistentes automáticos de fala de provedores como Google, Apple e Amazon estão arriscando a privacidade dos usuários", disse a autoridade alemã de proteção de dados. "Isso se aplica não apenas às pessoas que administram um assistente de fala, mas a todos que entram em contato com ele, por exemplo, se moram em uma casa na qual existam dispositivos como o Google Assistente instalados".

Funcionários da Apple conseguem ouvir o que usuários dizem por meio da Siri

Na semana passada, o The Guardian relatou que funcionários da Apple no mundo todo estão ouvindo conversas de seus usuários por meio da Siri. Nessas conversas, puderam ser notados assuntos como informações médicas, tráfico de drogas e gravações de casais fazendo sexo. O próprio documento de termos de serviço da Apple diz que solicitações da Siri "pseudonimizadas" podem ser usadas para controle de qualidade. Mas não chega a declarar explicitamente que o trabalho é realmente realizado por seres humanos.

A gigante de Cupertino está longe de ser a única empresa a empregar a supervisão humana de seus assistentes de voz. As solicitações de gravação de áudio feitas na Alexa, da Amazon, e no Google Assistente também são analisadas de maneira semelhante.

O Google, em meados de julho, reconheceu que trechos de voz do assistente - que vazaram para a rede de notícias belga VRT News - revelaram informações confidenciais, como condições médicas e endereços de clientes. É uma prática geral do setor coletar gravações de voz para melhorar os algoritmos de reconhecimento de fala, já que é uma tecnologia em evolução. Mas buscar o consentimento informado dos usuários é um grande passo para abordar as preocupações com a privacidade, sem mencionar a garantia de conformidade com os requisitos do GDPR da UE.

Fonte: The Next Web

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