América Latina teve média de 20 incidentes de segurança por segundo neste ano

Por Rafael Romer | 27 de Agosto de 2015 às 14h12
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

De Santiago, Chile

A região da América Latina sofreu nos oito primeiros meses destes ano uma média de 20,1 incidentes de segurança por segundo, revelou a Kaspersky durante uma conferência de imprensa nesta quinta-feira (27). No total, foram cerca de 398 milhões de incidentes observados, sendo que cada incidente é considerado um evento no qual houve intenção de comprometer uma informação de um usuário.

Do total dos incidentes observados, 54% foram considerados críticos, ou seja, capazes de comprometer os dispositvos que foram atacados. De acordo com a Kaspersky, o uso de versões desatualizadas dos softwares Adobe Flash, Adobe PDF, Adobe Player e produtos da Mozilla foram os quatro principais "culpados" por esses ataques críticos. "Os atacantes podem ter acesso remoto aos dispositivos sem o uso de vírus, explorando apenas falhas nessas aplicações", explicou o analista de segurança da Kaspersky, Dmitry Bestuzhev.

Em porcentagens, as origens dos ataques estão relacionadas a vulnerabilidades em versões desatualizadas do Adobe Flash Player (16%) e do Adobe Acrobat (13%). Curiosamente, em terceiro lugar está o navegador Google Chrome, que apesar de receber atualizações automáticas e independentes da ação do usuário, ainda é origem de 12% dos ataques na região.

Sendo o maior país e com a maior população da região, o Brasil liderou a lista de ameaças distribuídas pela Internet, com cerca de 27,6 milhões de incidentes registrados — quase o dobro do segundo colocado na lista, o México, que teve aproximadamente 15 milhões de incidentes neste ano. Atualmente, o Brasil ocupa a 18ª posição no ranking global de ataques distribuídos pela internet, e a estimativa é que 31,4% da população nacional tenha sido vítima de alguma tentativa de ataque pela rede no período.

Quando são analisadas apenas as ameaças originadas através de infecções por dispositivos USB, o Brasil também lidera a lista. No total, 50,2% dos brasileiros foram vítimas de alguma tentativa de infecção, com aproximadamente 164 milhões de incidentes registrados. O contágio por dispositivos USB é considerado uma característica forte da América Latina, região na qual as pessoas costumam compartilhar muito seus pendrives entre amigos e familiares, além de usar os mesmos acessórios para dispositivos pessoais e corporativos.

Quando separados os incidentes por sistema operacional, os destaques ficam para o Windows e para o Android, os dois sistemas mais populares da região. No Windows, uma das principais ameaças é a manutenção de versões desatualizadas do sistema — de acordo com a Kaspersky, ainda há 7% de usuários utilizando o Windows XP, que já não recebe mais atualizações da Microsoft.

Ainda que represente um número menor de usuários e tenha menos ameaças, a desatualização do sistema operacional também é uma realidade no Mac OS. De acordo com a Kaspersky, apenas 1% do total de dispositivos Macintosh na região está na versão mais atualizada do sistema.

Na plataforma Windows, a principal ameaça detectada na região foi o trojan bancário Trojan.banker.Win32.ChePro.Ink, responsável por 28% do total de infecções. A prevalência da ameaça mostra a tendência da região, na qual a maior parte das infecções tem como foco o roubo de ativos financeiros e dinheiro.

No Mac OS, por sua vez, 49% das infeções foram do tipo Trojan-Downloader.OSX.Vidsler, um trojan focado no sistema operacional da Apple que tem como objetivo principal baixar a instalar novas ameaças, com foco no roubo da informação ou em publicidade.

Kaspersky

Brasil lidera o número de ameaças distribuídas pela Internet na região da América Latina (Foto: Rafael Romer/Canaltech)

*O repórter viajou a Santiago a convite da Kaspersky

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