Afinal de contas, qual a diferença entre Proxy e VPN?

Por Sérgio Oliveira | 12 de Abril de 2016 às 06h44

Após a detonação do esquema de vigilância global da NSA e do governo dos Estados Unidos por Edward Snowden, os debates sobre segurança digital, proteção de dados e meios de criptografar mensagens e conexões à internet cresceram nos quatro cantos da web.

Nesse cenário, serviços de proxy e VPN se difundiram rapidamente e foram adotados pela grande massa. O problema é que essa popularização também trouxe consigo a confusão do entendimento do que cada tecnologia é e faz. Afinal de contas, ambas conectam o computador do usuário a um computador remoto - o que leva os mais incautos e apressados a chegarem à conclusão de que se tratam da mesma coisa. Mas calma lá, pois não é bem assim.

Hoje discutiremos sobre cada uma dessas ferramentas e o momento certo de utilizá-las a fim de desconstruir uma conceituação errônea que pode confundir muita gente por aí.

Saber qual ferramenta usar é essencial

Diariamente surgem notícias de vazamentos de dados e invasões a partir de conexões desprotegidas em empresas ou órgãos governamentais, o que acaba colaborando para fortalecer a ideia comum de que é necessário investir uma determinada quantia de dinheiro e tempo para manter nossos dados pessoais protegidos e longe do alcance de cibercriminosos.

O problema é que pouco se fala sobre como exatamente fazer isso e, principalmente, qual a ferramenta ideal. Ora, se você quer manter a si próprio e aos seus dados seguros, é minimamente desejável que saiba que medidas devem ser adotadas, qual software deve ser adquirido e como manuseá-lo. E é aí que começa a dificuldade para diferenciar proxy de VPN.

É bem verdade que ambos compartilham características em comum e que, basicamente, lhe fazem aparecer online como se estivesse conectado a partir de uma outra localidade. A diferença fundamental, entretanto, é como eles fazem isso e como esse processo afeta o nível de privacidade, criptografia e outras funcionalidades de segurança.

Proxies escondem o seu endereço IP

É basicamente isso o que um proxy faz por você. Embora aparente fazer muito mais para sua segurança, a verdade é que um proxy atua como um intermediário entre sua máquina e todo o tráfego da internet, de maneira a aparentar que sua atividade online vem de um outro lugar que não sua casa ou escritório.

Essencialmente, é aquele velho truque que antes muita gente usava para disfarçar o endereço IP e acessar o catálogo norte-americano da Netflix. Nesse caso, bastava conectar a um servidor proxy localizado nos Estados Unidos para "enganar" o serviço de streaming e se passar por um cidadão norte-americano, já que a origem do tráfego da sua conexão seria um computador remoto e não o seu.

Logo, é exatamente para isto que um proxy serve e deve ser usado: atividades que não exigem manuseio e transferência de dados sensíveis. É o caso de transpor barreiras e filtros regionais ou de IP que impedem o acesso a determinados conteúdos - e só.

Proxies apenas mascaram o endereço IP do usuário, deixando todo o tráfego de dados em aberto, sem nenhuma camada de proteção ou criptografia

Proxies apenas mascaram o endereço IP do usuário, deixando todo o tráfego de dados em aberto, sem nenhuma camada de proteção ou criptografia (Imagem: Reprodução)

Como não criptografa nenhum dado entre o seu computador e o servidor, um proxy jamais deve ser utilizado para transmissão de dados sensíveis através da internet. Logo, aqui fica o alerta: nunca acesse sua conta bancária, realize compras online ou qualquer coisa que envolva informações sensíveis ao seu respeito acreditando estar seguro por trás de um proxy, pois você não estará.

Por fim, vale a pena ficar atento para o seguinte fato: proxies são configurados dentro de aplicativos e nunca podem redirecionar toda a conexão de um computador. Ou seja, você jamais conseguirá configurar o seu computador ou o seu roteador para usar um proxy; ao invés disso, apenas apps como seu navegador, ou um jogo recebem configurações de proxy.

Como escolher um Proxy

Há uma imensa quantidade de servidores proxies gratuitos disponíveis na internet, mas a maioria oferece uma latência absurda que frustra até o mais calmo dos usuários. Sabendo disso, essas opções gratuitas são indicadas apenas para uso esporádico e jamais para uso corriqueiro. Uma boa dica é acessar o Proxy4Free, que disponibiliza uma lista gigantesca de servidores gratuitos que podem ser utilizados por qualquer um.

Além disso, também há opções comerciais e pagas como o BTGuard. Cientes de que não são capazes de se sustentar sozinhos, geralmente esses serviços também oferecem VPNs básicas para incrementar a segurança. Embora essa não seja a alternativa mais segura ou recomendável, certamente é a ideal para quem busca proteção por um custo inferior aos serviços de VPN disponíveis atualmente no mercado.

VPNs criptografam sua conexão

Assim como os proxies, as Redes Virtuais Privadas (VPNs) também "mascaram" a origem dos seus dados, fazendo com que eles pareçam estar vindo de um outro local. Não obstante, as semelhanças terminam aí.

As VPNs são configuradas em nível de sistema operacional, o que significa que elas são capazes de redirecionar todo o tráfego de um dispositivo e não apenas o de um ou outro aplicativo. Ademais, todos os dados são submetidos a um rigoroso processo de criptografia, que envolve o envelopamento das informações e seu tráfego por um túnel totalmente seguro que interliga seu computador à uma rede remota.

Por outro lado, numa VPN, os dados são submetidos a um rigoroso processo de criptografia e trafegam por túneis seguros que interligam o computador do usuário com a rede privada

Por outro lado, numa VPN, os dados são submetidos a um rigoroso processo de criptografia e trafegam por túneis seguros que interligam o computador do usuário com a rede privada (Imagem: Reprodução)

Como você deve estar imaginando neste momento, uma VPN é ideal para o tráfego de dados de qualquer natureza, já que mantém sua privacidade e anonimato intactos e inacessíveis pelo provedor de internet ou qualquer indivíduo mal-intencionado que queira interceptar a comunicação. Sendo assim, use-a sem medo, independentemente se você só quer conferir seu perfil no Facebook ou acessar dados confidenciais na rede corporativa da sua empresa. Tampouco importa se você está num local público ou privado, ou a conexão Wi-Fi de um determinado estabelecimento ser a mais suspeita possível: utilizando uma VPN, todas essas preocupações passam a não mais existir.

Obviamente, tanta segurança tem o seu preço. Os melhores serviços de VPN não são gratuitos e exigem uma assinatura mensal. E como os principais nomes do mercado estão fora do Brasil, dificilmente encontramos a opção de pagamento em Real, o que encarece mais ainda a contratação em tempos de dólar em alta.

Caso nada disso seja um empecilho para você, vale o conselho para ficar atento aos termos de serviço, que podem variar bastante de uma VPN para outra. Na maioria dos casos, os administradores estipulam um limite mensal de tráfego de dados, deixando de oferecer a proteção após o estouro da cota. Nesses casos, busque por serviços que oferecem tráfego ilimitado - embora custem um pouco mais, é um inconveniente a menos para você se preocupar.

Para fechar, uma dica de ouro: pelo menos uma vez por mês surgem VPNs oferecendo assinatura vitalícia pelo preço de um ano de assinatura. Ou seja, você paga por uma assinatura de um ano e pode usar a VPN pelo resto da vida, sem ter de se preocupar em renovar o serviço. Geralmente, essas ofertas aparecem em sites de compra coletiva gringos ou em associação com portais de tecnologia internacionais, como o The Next Web. Portanto, fique de olho e acompanhe as ofertas diariamente.

Resumindo

Falando de uma forma bastante resumida, os proxies são excelentes apenas para camuflar sua identidade em atividades triviais, como acessar conteúdo geograficamente restrito. Por outro, uma VPN protegerá sua conexão de ponta a ponta e pode ser utilizada em qualquer tipo de situação, desde apenas navegar em redes sociais até acessar seu e-banking.