A 8ª Disciplina do Darwinismo Digital

Por Colaborador externo | 28 de Abril de 2016 às 06h09

Por Márcio Kanamaru*

Em 2000, li o livro Darwinismo Digital do americano Evan Schwartz, no qual ele descrevia sete disciplinas básicas que as empresas deveriam praticar para se adaptarem a fim de sobreviverem e crescerem na então nova era da Internet. O autor criou para o mundo digital um modelo da lei de Darwin, que expôs, em 1859, a sua teoria da evolução pela seleção natural como uma explicação para a adaptação e formação de espécies dos animais. O conceito era simples, mas poderoso: os indivíduos melhor adaptados aos seus ambientes são mais propensos a sobreviver e a se reproduzir.

No momento do lançamento do livro, assistíamos à popularização da web, à criação de novos modelos de negócios e ao aparecimento de startups de tecnologia que faziam com que empreendedores se tornassem milionários da noite para o dia.

O livro descreve hábitos fundamentais que as empresas precisam aderir para conquistar a adaptabilidade em um ambiente altamente hostil como o digital. Entre as estratégias sugeridas por Schwartz estão: criar uma marca-solução, apostar em preços dinâmicos, desenvolver parceria nas vendas e marketing, oferecer um pacote único, vender e fabricar sob demanda (baixo estoque ou nenhum), acrescentar valor nas transações e desenvolver uma estratégia multicanal.

Passados alguns anos deste cenário, nos vemos à beira de uma nova mudança radical: a transformação digital. E novamente temos que nos fazer as mesmas perguntas: Quais serão as empresas que irão sobreviver? Como lidar com a concorrência dos novos modelos? O que será preciso fazer para adaptar-se e manter-se no mercado?

De acordo com relatório divulgado em janeiro pelo Fórum Econômico Mundial, a transformação digital, ou como também é chamada, a quarta revolução industrial, poderá causar a perda de 5 (cinco) milhões de empregos nos próximos cinco anos nas principais economias mundiais.

A transformação digital já está acontecendo e as empresas que não se propuserem a criar algo novo ficarão pelo caminho. Juntamente com a transformação digital, vem uma competitividade gigantesca e uma concorrência feroz. Já vemos novos modelos de negócios inovadores, colaborativos e globais sendo criados e ameaçando os modelos tradicionais.

O conceito de Darwinismo Digital será aplicado no processo de transformação digital. Todas as empresas terão que se adaptar à nova realidade, sobreviver no modelo digital e se moldar ao cenário econômico e social da época. Qualquer empresa, de qualquer porte e de qualquer área, terá que ter como aliada a tecnologia para criar modelos de negócios disruptivos.

Mesmo as empresas com essência inovadora e disruptiva serão desafiadas. A própria Apple, reconhecidamente inovadora e digital, recentemente viu a sua ferramenta de conteúdo digital ser ameaçada por novos modelos que já nasceram na nuvem, como Spotify e SoundCloud, com serviços mais fáceis de usar que dispensam downloads e sincronização de dispositivos.

Estamos vivendo o início de um novo ciclo que deve ser encarado pelas corporações o quanto antes. As empresas estão gerando capital intelectual riquíssimo que serão aplicados a esses novos modelos e, por isso, a segurança da informação se transformará em um significativo habilitador para o negócio. Em um modelo de negócio digital, ter o capital intelectual roubado, sequestrado ou corrompido será o mesmo que ter todo o negócio bloqueado. A segurança e a transparência com o cliente serão fatores decisivos para o sucesso de uma empresa na entrega da experiência destes usuários.

As sete disciplinas apresentadas por Schwartz ainda podem ser aplicadas e hoje, num contexto muito mais amplo, a segurança da informação já pode ser considerada como a oitava disciplina para a adaptação e sobrevivência de uma empresa no mundo digital.

Não deixe que uma falha de segurança seja o mecanismo de seleção natural da sua empresa e proponha a evolução digital segura em sua corporação.

*Márcio Kanamaru é diretor geral da Intel Security no Brasil

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