Você sabe como as empresas utilizam os seus dados pessoais?

Por Colaborador externo | 02.12.2014 às 08:47
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Foto:scyther5/Shutterstock

por Fernando Loureiro*

Estamos caminhando rapidamente para um mundo onde tudo e todos à nossa volta estarão conectados, 24 horas por dia, todos os dias da semana. Não só o seu computador e o seu telefone serão capazes de se beneficiar dos recursos praticamente infinitos da Internet, mas também outros objetos que ainda não fazem parte da nossa rotina é não vemos como inteligentes – e entram aí o seu carro, as suas roupas, e até a sua casa – serão transformados pela tecnologia e passarão a responder de forma muito mais efetiva às suas necessidades do dia a dia.

Não há dúvida de que esse futuro da Internet das Coisas irá trazer enormes benefícios para nossas vidas, nos tornando mais produtivos e mais informados sobre o mundo ao nosso redor. O potencial desta área para revolucionar a maneira como nos comunicamos é imenso, mas não sem percalços.

Há uma relação risco x benefício quando nos conectamos a Internet. Se por um lado temos acesso a serviços incrivelmente inovadores e um repositório de inteligência e informação praticamente sem fim, temos também riscos associados com o roubo e o mal uso de nossas informações pessoais. Quando acessamos a Internet, a Internet também se conecta com a gente – nossa atividade online gera um enorme volume de dados, que alimentam os serviços que utilizamos para tornar a nossa vida mais fácil. É uma relação de troca – oferecemos alguns de nossos dados para a Internet, e em troca ela retorna facilidades para a nossa vida.

Um estudo realizado pela Intel em 2013 mostrou que o brasileiro entende e reconhece o valor desses serviços para sua vida – por exemplo, 73% dos brasileiros concordariam em compartilhar dados pessoais de forma anônima com o governo se isso resultasse em uma queda no trânsito nas grandes cidades. É dessa forma que aplicativos com o Waze funcionam – coletando dados de milhares de usuários ao mesmo tempo e criando modelos do tráfego na cidade para sugerir rotas alternativas aos usuários. Um projeto de cidade conectada que utilizasse esse modelo de navegação compartilhada poderia trazer enormes benefícios aos cidadãos e à produtividade do país.

Ao mesmo tempo, empresas e governos precisam assumir compromissos sérios no que tange à privacidade de nossos dados pessoais – e isso significa não só tomar medidas sérias contra ataques de hackers e roubo de dados, mas também de manter políticas claras e razoáveis sobre como as empresas e serviços utilizarão nossos dados pessoais. Você sabe o que é feito com os seus dados nos serviços que você usa? Nas redes sociais, nos serviços de e-mail, nos aplicativos que você carrega no seu tablet ou smartphone?

Há de se alcançar um equilíbrio sadio entre privacidade e inovação – podemos colher enormes benefícios pessoais e sociais ao permitir que nossos dados, coletados e analisados de forma anônima, se transformem em serviços altamente inteligentes e produtivos. Mas também temos que nos responsabilizar pela nossa segurança e pela segurança dos nossos dados. Informe-se, leia e entenda as políticas de uso de seus dados pessoais antes de assinar um serviço ou instalar um novo app. Exija que sua privacidade seja respeitada, e que qualquer dado coletado seja usado de forma isenta e segura. Trabalhando juntos, a indústria e os usuários terão o poder de transformar a sociedade e criar ambientes inteligentes e seguros, tanto no mundo virtual quanto no mundo real.

* Fernando Loureiro é Diretor de Assuntos Governamentais na Intel Brasil