Utilize a tendência de “trazer seus próprios aplicativos” (BYOA) a seu favor

Por Colaborador externo | 17 de Abril de 2014 às 12h35
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por Wagner Bernardes*

A tendência do Bring Your Own Device (BYOD) está evoluindo. Conhecido como Bring Your Own Application (BYOA), este fenômeno conta com usuários utilizando e baixando seus próprios aplicativos corporativos, colocando em risco os empregadores.

À medida que os funcionários assumem a produtividade nas próprias mãos, a TI perde o controle. Isso ocorre porque os departamentos de TI, muitas vezes, não estão cientes dos aplicativos que entram no local de trabalho e não fornecem aos funcionários softwares corporativos “aprovados”.

O BYOA, porém, pode ser benéfico e aumentar a produtividade e o envolvimento dos funcionários. Mas, para que esse comportamento do consumidor funcione em harmonia com o da TI, as atitudes devem mudar.

“A área de TI não está acompanhando as mudanças das demandas e dos padrões de comportamento da nova força de trabalho, mobilizada e consumível”, afirma Richard Absalom, analista de tecnologia de impacto no consumidor da Ovum. “Se os funcionários estão trazendo os próprios aplicativos para realizar seu trabalho, então a TI não está fornecendo as ferramentas certas, nem uma experiência suficientemente boa para o usuário”.

Além do e-mail e calendário

A tendência de levar dispositivos, como tablets, ao trabalho foi precursora do fenômeno BYOA – e ainda é crucial para ele. Quase 70% dos funcionários que têm smartphone ou tablet o usam para acessar dados corporativos, de acordo com a Ovum. Os números mostram que 15,4% dos colaboradores fazem isso sem conhecimento do departamento de TI – e 20,9% fazem apesar da existência de uma política anti-BYOD.

Enquanto isso, o mercado de tablets pessoais está em crescimento. Com o número de funcionários em período integral que têm tablets passando de 28,4% para 44,5% nos últimos 12 meses, mais empresas veem esses dispositivos e os aplicativos associados a eles em suas redes.

De acordo com a pesquisa da Ovum, os funcionários usam e-mail e calendário em dispositivos fornecidos pela empresa e em pessoais. No entanto, os colaboradores também usam aplicativos de produtividade de nova geração na nuvem, como redes sociais corporativas, sincronização e compartilhamento de arquivos e mensagens instantâneas (IM) ou VoIP. E as evidências indicam uso em larga escala: 25,6% dos colaboradores descobrem seus próprios aplicativos de redes sociais corporativas. Enquanto isso, 22,1% dos funcionários estão descobrindo seus próprios aplicativos de sincronização e compartilhamento de arquivos e 30,7% utilizam aplicativos de IM/VoIP.

Porém, tentar interromper essa mudança é inútil e pode representar ainda mais riscos. “Ficar no caminho da mobilidade consumível provavelmente será um exercício danoso e fútil”, diz Absalom. “Acreditamos que as empresas são mais bem servidas ao explorar esse comportamento para aumentar o envolvimento e a produtividade dos funcionários, além de promover os benefícios da mobilidade corporativa".

Gestão de segurança e dispositivos móveis

De acordo com a Ovum: “O novo desafio para a TI é atingir o equilíbrio entre atender às exigências e necessidades do funcionário para evitar que comportamentos saiam da linha de visão e do controle de TI, ao mesmo tempo em que mantém os dados corporativos protegidos”.

Embora seja difícil para as empresas evitarem que funcionários levem os próprios aplicativos ao local de trabalho, a segurança deve ser gerenciada. A Gestão de Dispositivos Móveis (Mobile Device Management - MDM), frequentemente em vigor como parte de uma estratégia de BYOD, pode resolver alguns problemas de segurança causados pelo BYOA. Gerentes de TI e CIOs podem utilizar serviços como divisão para separar aplicativos corporativos e pessoais e executar medidas para eliminar o dispositivo se ele for perdido ou roubado.

Ainda assim, isso não necessariamente protege as empresas de aplicativos maliciosos baixados acidentalmente pelos funcionários. Além de aplicar medidas como criptografia, outra opção é utilizar uma loja corporativa de aplicativos, que guia os funcionários para soluções de negócios "aprovadas", dando mais visibilidade a TI.

Lojas de aplicativos corporativas estão ganhando popularidade, de acordo com a empresa de análises Gartner, que afirma que 25% das empresas terão uma loja em vigor até 2017.

Maior controle

Lojas de aplicativos corporativas aumentam a segurança ao prometer maior controle sobre os apps utilizados por funcionários, além de limitar gastos com software e dar às empresas impulso de negociação com fornecedores de aplicativos.

“Aplicativos baixados de lojas públicas para dispositivos móveis atrapalham as estratégias de TI para segurança, aplicativos e compras”, adverte Ian Finley, vice-presidente de pesquisas do Gartner.

“Lojas corporativas de aplicativos prometem uma solução parcial, mas apenas se profissionais de TI responsáveis pela segurança, aplicativos e compras puderem trabalhar em conjunto para aplicar com sucesso o conceito de loja corporativa às suas empresas”, diz Finley, que acrescenta: “Quando tiver sucesso, as empresas poderão aumentar o valor oferecido pelo portfólio de aplicativos e reduzir os riscos associados, taxas de licença e despesas com administração”.

À medida que a tendência do BYOA continua crescendo, é essencial que as empresas controlem a enxurrada de aplicativos que entram no local de trabalho. Ao gerenciar softwares de produtividade introduzidos por funcionários e delinear uma estratégia clara, a tendência pode ser utilizada, na verdade, para vantagem da empresa.

Uma loja corporativa de aplicativos, ou uma lista de aplicativos "aprovados", dá aos funcionários a chance de tomar a produtividade nas próprias mãos, sem que a TI perca o controle.

*Wagner Bernardes é Head de Integração de Soluções e Consultoria da Orange Business Services Brasil

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