Snapchat está pedindo para usuários pararem de utilizar aplicativos de terceiros

Por Redação | 12 de Novembro de 2014 às 10h43

O vazamento de quase 13 GB de fotos do Snapchat – em sua maioria íntimas e de menores de idade – levou a empresa a mudar sua abordagem. A partir desta terça-feira (11), o serviço passou a exibir uma mensagem a todos os usuários que forem detectados utilizando aplicativos de terceiros, pedindo que eles parem de fazer isso e modifiquem suas senhas imediatamente.

Em um curto comunicado oficial publicado no site da empresa, ela não fala em proibição, mas sim de uma campanha informativa voltada para os riscos de utilização de soluções de terceiros. O Snapchat garante que, assim como no aplicativo para seus usuários, deleta todas as imagens enviadas assim que elas são visualizadas, garantindo a confidencialidade na troca de informações e o sigilo dos dados pessoais de seus usuários.

Mas tal caráter é garantido apenas dentro dos próprios sistemas da empresa. Fora deles, a responsabilidade quanto à segurança e privacidade fica nas mãos dos responsáveis pelas soluções e, sendo assim, não é possível garantir sua integridade. Isso é principalmente verdade no caso de serviços como o responsável pelo vazamento, que promete armazenar todas as fotos recebidas e, com isso, acaba as salvando também nos próprios servidores.

Foi exatamente isso que motivou o vazamento recente, que teve como ponto de origem o serviço Snapsaved. Por meio dele, milhares de fotografias dos usuários acabaram sendo vazadas na internet, em uma falha que, inicialmente, foi atribuída ao próprio Snapchat. Mais tarde, porém, o problema foi atribuído à solução externa, em um problema que afetou usuários na Europa, principalmente.

O uso de tais aplicativos tenta burlar um dos conceitos básicos do Snapchat. As mensagens trocadas são efêmeras e desaparecem após uma curta quantidade de segundos definida pelo usuário. A realização de uma screenshot é notificada para o remetente original, mas serviços como o Snapsaved burlavam essa proteção, armazenando automaticamente todas as fotos recebidas.

A falha de segurança se tornou ainda mais grave que o próprio vazamento quando uma análise rápida do conteúdo mostrou que boa parte das imagens disponíveis era de menores de idade. Assim, o caso se transformou de uma brecha na privacidade dos usuários em um crime federal, já que todos aqueles que fossem flagrados acessando, baixando ou compartilhando o arquivo vazado poderiam ser enquadrados como pedófilos.

Felizmente, para os criadores do Snapchat, a polêmica acabou passando longe quando ficou provado que o Snapsaved foi o responsável pela falha. Ainda assim, a empresa afirmou que tomaria medidas contra esse tipo de prática e vem se empenhando em uma campanha de informação e alertando a seus usuários que a entrega de logins e senhas para terceiros não é nada segura e pode gerar não apenas vazamentos como estes, mas também liberar o acesso a dados pessoais para criminosos e hackers.

Oficialmente, o Snapchat não libera sua API para o desenvolvimento de aplicativos, mas especialistas em software fazem isso a partir de engenharia reversa. A empresa garante que apaga toda a comunicação de seus usuários dos servidores assim que ela é visualizada, mas, ainda assim, pouco faz para conter a ação de terceiros em circundar justamente esse tipo de proteção.

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