'Seguro cibernético': modalidade que garante segurança de dados é nova onda

Por Redação | 07 de Julho de 2014 às 15h55
photo_camera scyther5

Foto:scyther5/Shutterstock

No cenário atual, grandes e pequenas empresas estão sujeitas aos mesmos riscos em relação à integridade de seus dados e dos clientes no mundo virtual. A diferença é que, para os negócios menores, os problemas são inversamente proporcionais, já que os custos de um processo judicial ou investigação federal sobre seus sistemas, na maioria das vezes, acaba resultando em falência. É por isso que estão surgindo, nos Estados Unidos, diversos serviços de “seguro digital”.

Não se trata de soluções adicionais de segurança ou desenvolvimentos extras, mas sim, de um seguro no sentido mais direto da palavra. É uma proteção dos próprios negócios da empresa e uma cobertura de custos legais e de lucros perdidos no caso de uma falha nos sistemas de dados, resultando ou não na exposição das informações dos clientes.

Como mostra uma reportagem do site Entrepreneur, os pequenos e médios negócios estão motivando um aumento de quase 100% nas vendas de seguros cibernéticos de empresas como a Marsh & McLennan ou CNA. Entre os serviços estão o acompanhamento jurídico, compensação de perdas e até mesmo monitoramento de crédito, para companhias que lidam com dados bancários. No total, ainda visto como baixo pelas empresas do ramo, foram gastos entre US$ 1 e US$ 2 bilhões com esse tipo de proteção ao longo de todo o ano de 2013.

Em comparação com o valor gasto pelo cidadão americano no mesmo período – US$ 1,1 trilhão – esse número é bem pequeno. Mas as operadoras do setor enxergam um crescimento cada vez maior e longe de apresentar sinais de saturação, na medida em que as empresas enxergam suas “posses digitais” como tão importantes, ou mais, que seus bens físicos. Assim, na mesma medida em que seguros contra roubos ou incêndios são necessários, a proteção contra catástrofes digitais também se faz essencial.

Os gastos com esse tipo de segurança também servem como uma forma de combater as perdas anuais de US$ 445 bilhões, em números estimados, relacionados aos crimes virtuais. As grandes empresas já estão na internet e possuem batalhões de advogados, além de dinheiro de sobra para lidar com esse tipo de problema. Mas na medida em que aumenta o número de negócios menores conectados, cresce também o mercado em potencial para os seguros cibernéticos.

Cada vez mais em foco

Apesar de parecer uma ideia nova e recente, os primeiros planos de proteção virtual surgiram há dez anos, em um tempo em que a computação nas nuvens ainda era um sonho distante e os ataques virtuais bem menos constantes. Mas na mesma medida em que cresciam as ameaças, aumentavam também as normas relacionadas a elas e a necessidade por seguros do tipo.

Esse tipo de crime já foi citado até mesmo pelo presidente americano Barack Obama como uma ameaça séria para a economia. Foi daí que surgiram regras sobre como as empresas devem agir no caso de vazamentos de dados no que toca a transparência com seus clientes e a contenção dos danos. Assim, forma-se um todo bastante lucrativo para as seguradoras e necessário para as empresas pequenas.

De acordo com os dados do setor, uma companhia pequena tem mais chances de ser atacada do que uma grande corporação multinacional. A ideia dos hackers é que organizações menores têm menos camadas de segurança e, sendo assim, constituem um alvo mais fácil para invasão. Nesse caso, 100 registros de cartões de crédito em uma operação de algumas horas de trabalho é mais interessante do que milhares deles em um ataque planejado por meses e com alto risco.

A boa notícia é que essa necessidade crescente está derrubando os preços da cobertura, bem como criando planos cada vez mais específicos para diferentes tipos de negócio. A competição, que tende a ser cada vez maior, também está aumentando, o que deve fazer com que os valores baixem ainda mais e os tipos de serviços ofertados sejam ainda mais variados.

Para a consultoria Ponemon, especializada em dados do mercado de tecnologia, os custos de um ataque cibernético podem chegar a US$ 6 milhões em alguns casos. Os gastos com seguros para cobrir tudo isso, porém, representam 5% desse total, constituindo um montante bastante aceitável.

Uma pesquisa rápida pela internet não traz registros de disponibilização de seguros do tipo para empresas brasileiras. Mas, levando em conta o potencial tecnológico de nosso país, é possível que esse tipo de serviço não demore a chegar por aqui.

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.