Pais vigiam as redes sociais de seus filhos: zelo ou invasão de privacidade?

Por Mariano Sumrell | 07 de Agosto de 2012 às 20h01

Na era da conectividade, crianças aprendem a mexer no computador antes de conseguir amarrar os próprios sapatos e aos 11 anos já acessam a internet com a maturidade de um adulto. Habituados ao mundo analógico e real, os pais podem sentir-se perdidos ao notar o progresso da vida virtual de seus pequenos e, para tentar manter o controle, podem vasculhar a vida online das crianças. Uma pesquisa apontou que 44% dos pais de crianças de 14 a 17 anos estão alimentando esse hábito e vigiando as redes sociais dos filhos¹. Mas seria essa a melhor solução para evitar que as atividades na internet coloquem a família em risco?

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Assim como na vida real, procuramos conhecer os amigos e as pessoas com quem as crianças andam e é perfeitamente válido adicionar o seu filho ou filha no Facebook e, de vez em quando, dar uma olhada em sua timeline, mas é necessário avisá-lo sobre suas intenções e explicar que não pretende invadir seu espaço, apenas alertá-lo sobre os riscos aos quais se expõe ao utilizar a internet. É necessário deixar claro que pretende zelar por sua privacidade, afinal, quanto mais intromissão, mais se especializarão em guardar segredos.

Mas a chave para a segurança da família na rede é a educação para o comportamento seguro. A orientação de “não falar, dar informações ou abrir a porta para estranhos”, que é replicada há gerações, deve ser também usada como o mote da segurança das crianças online, alertando-os de que nem sempre a pessoa que está do outro lado da conversa é quem afirma ser. Disfarçados de professor, outro jovem ou criança ou qualquer outro personagem, criminosos procuram se aproximar das vítimas para, após ganharem a confiança da mesma, praticarem o seu plano fraudulento. Informações sobre o colégio, lugares que frequentam, nome dos pais, amigos e parentes, onde estará nas férias e até mesmo a data de nascimento podem ser usadas por essas pessoas para sequestros, assaltos ou roubo de identidade.

Outro ponto que deve ser discutido é que, uma vez na rede, a mensagem ou foto não está mais sob controle do autor. Conteúdos enviados por celular também podem se espalhar dessa forma e devemos lembrar que os contatos mais próximos que temos na rede podem, de repente, resolver denegrir nossa imagem e de nossa família. Portanto, é necessário postar conscientemente, evitando fotos indiscretas ou comentários negativos, que podem ser negativos à imagem e prejudicar a busca por emprego, mesmo anos após a publicação.

Zelar pela segurança online dos nossos filhos é transportar para vida online as orientações que ouvíamos dos nossos pais e avós: atenção à abordagem de desconhecidos, sigilo quanto às informações pessoais e conversa com a família sobre qualquer situação suspeita.

¹ Pesquisas da Campanha Digital Diaries, conduzidas pela Research Now para a AVG Technologies. Disponíveis no site http://www.avgdigitaldiaries.com/

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