O fim das senhas está cada vez mais próximo

Por Vander de Castro

Quando o assunto é segurança no mundo digital, as empresas do ramo procuram prestar grande atenção e focar em soluções que mantenham os dados do usuário protegidos e, ao mesmo tempo, evitem dar aos cibercriminosos mais uma colher de chá no quesito facilidade de invasão. E a tendência é vermos nossas senhas desaparecerem gradativamente do nosso cotidiano.

A questão da segurança evoluiu para uma etapa em que apenas o ato de digitar alguns caracteres não é mais suficiente para manter os dados de uma pessoa a salvo. Novas alternativas estão surgindo para evitar o acesso de pessoas não autorizadas a contas bancárias, números de cartões de crédito, dados pessoais e até sites na web. As alternativas, além de dificultarem o acesso não autorizado por hackers e crackers, ainda têm outro ponto positivo na vida dos mais esquecidos, que não precisarão recordar suas senhas para acessarem seus serviços. Os bancos Bradesco e Itaú são dois exemplos de instituições que já substituíram as senhas por outras maneiras de autenticação, como a palma da mão e a impressão digital.

A biometria vem evoluindo rapidamente. Sistemas já podem reconhecer os usuários a partir de câmeras que enxergam em 3D. E o sistema de reconhecimento tem sido aprimorado: não adianta colocar uma foto ou um vídeo em frente à webcam para tentar burlar o método de identificação – já é possível reconhecer padrões vasculares, pontos que formam impressões digitais, íris, etc, tudo isso integrado a outras formas de reconhecimento.

Além de empresas especializadas em segurança digital, a Darpa, Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos Estados Unidos, também está trabalhando em um projeto que pretende combinar leitura biométrica com identificação comportamental. Dessa forma, será possível combinar reconhecimento facial, de voz ou impressões digitais com padrões de linguagem, digitação e de uso do mouse (que diferem de indivíduo para indivíduo) para que uma pessoa acesse um sistema com mais segurança.

Outra alternativa que vem sendo pesquisada e desenvolvida por várias empresas, incluindo o Google e a Lenovo, é a substituição de senhas por chaves USB, semelhantes a um pen drive, bem como tecnologias que utilizem reconhecimento de voz e leitura de impressão digital. A chave USB possui um sistema de autenticação realizado de modo local, diretamente pelo navegador no computador do usuário. Apesar de não utilizar biometria, isso facilita o reconhecimento do dono da conta e evita que pessoas mal intencionadas se passem por ele para sequestrar dados. Segundo Eric Grosse, vice-presidente de segurança do Google, e Mayank Upadhyay, engenheiro da empresa, senhas e tokens não serão mais suficientes para acessar os serviços na web.

As novas medidas de segurança podem evoluir para tornar smartphones, pendrives e vários outros dispositivos mais seguros, porém com acesso mais simples e prático. E já estão sendo realizados os primeiros testes com a ferramenta Yubikey, um micro cartão USB que utiliza criptografia com elevado nível de segurança que permite acesso a um serviço do Google sem a necessidade de senha.

A tendência para 2013 é o uso cada vez mais amplo de alternativas eletrônicas e biometria em prol da segurança online e do acesso a sistemas. Assim como os micro cartões, os sensores biométricos não farão parte apenas dos sistemas financeiros, como também de vários outros segmentos, como o de gadgets e dispositivos móveis, do BYOD (para autenticar biometricamente os profissionais que têm permissão para acessar sistemas, reduzindo a vulnerabilidade), das empresas e indústrias e até dos transportes.