Nova legislação chinesa obriga empresas a criarem backdoors

Por Redação | 29 de Janeiro de 2015 às 14h54
photo_camera Divulgação

A atuação de empresas estrangeiras na China pode ficar ainda mais ameaçada nos próximos meses. Segundo uma série de documentos obtidos pelo New York Times, o país asiático já aprovou a introdução de novas regras de segurança para empresas de tecnologia que desejam vender produtos para os bancos chineses.

A partir de agora, para vender equipamentos para empresas financeiras da China, as companhias terão que fornecer diversas informações (inclusive de caráter confidencial) para as autoridades do país. Os documentos que devem ser divulgados com mais detalhes nos próximos meses afirmam que as empresas terão que ceder informações como o código-fonte, criar centros de pesquisa dentro da China e construir “portas” para que o governo chinês tenha acesso para gerenciar e monitorar os dados processados pelos equipamentos.

As novas regras têm como uma das intenções mudar o cenário de fornecimento na China, onde atualmente 90% dos servidores high-end e mainframes usados no país são de empresas estrangeiras. Muitas dessas empresas são americanas, o que deve criar uma resistência na entrega de informações confidenciais sobre seus equipamentos.

Além das novas regras para o hardware fornecido, outra legislação de segurança afirma que as empresas de tecnologia forneçam as chaves de criptografia dos serviços codificados e força que todos os dados sobre usuários chineses sejam armazenados dentro do país.

Entre as principais empresas prejudicadas pelas novas legislações chinesas está a Apple, que no último trimestre vendeu mais iPhones em solo chinês do que no norte-americano. A Apple já tem enfrentado problemas com o governo do país. Recentemente o CEO Tim Cook autorizou que as autoridades realizassem auditorias de segurança nos produtos da Maçã vendidos na China.

As novas decisões do governo, no entanto, vão contra as afirmações de Cook de que a Apple “nunca trabalhou com qualquer órgão do governo de qualquer país para criar uma backdoor em algum dos nossos produtos ou serviços”.

Para não perder a força de vendas na China, é possível que a Apple faça algumas das vontades do governo chinês, no entanto, é difícil imaginar a Maçã cedendo para a criação de backdoors em seus próprios aparelhos ou entregando chaves de criptografia para o governo. Nos Estados Unidos e Europa, onde o iOS 8 não permite que a própria empresa tenha acesso à criptografia dos aparelhos, a Apple tem resistido às pressões governamentais.

As empresas estrangeiras se opõem às decisões da China e afirmam que elas são de caráter protecionista. Nesta quarta-feira (28), uma carta foi enviada ao governo chinês reclamando das medidas. Entre os autores está a Câmara de Comércio dos Estados Unidos, que afirma a necessidade de uma “discussão e diálogos urgentes” sobre a questão da cibersegurança que está obrigando as empresas a usarem cada vez mais tecnologias desenvolvidas e controladas por fabricantes chinesas.

As chinesas também devem obedecer às novas regras, algo que será muito mais fácil para elas, uma vez que já possuem parte das exigências em vigor e seus clientes se concentram no país. Entre as principais beneficiadas com o novo sistema é possível que esteja a Xiaomi, que está ganhando destaque no fornecimento de smartphones de baixo custo.

Fonte: http://www.nytimes.com/2015/01/29/technology/in-china-new-cybersecurity-rules-perturb-western-tech-companies.html&_r=1

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