Internet das coisas: Quem monitora a rede?

Por Colaborador externo | 11 de Agosto de 2014 às 14h05

*Por Dirk Paessler

Esqueça o BYOD (Bring Your Own Device, em português, traga o seu próprio dispositivo) e comece a pensar no BYOT (Bring your Own Thing - traga a sua própria coisa), onde ‘coisa’ pode ser qualquer objeto: desde uma máquina de café até um carro estacionado na garagem. A tendência atual, conhecida como Internet das Coisas (Internet of Things - IoT), terá um forte impacto sobre a maneira como vivenciamos a TI. E o momento para nos prepararmos é agora.

Quem monitora o monitor?

Os wearables (dispositivos eletrônicos que se usam no corpo) são um exemplo de ‘coisa’ utilizada em aplicações na área da saúde, seja no controle da pulsação ou na verificação da frequência cardíaca de um paciente. No caso de uma repentina queda da frequência cardíaca automaticamente seria acionada uma ambulância, que localizaria o paciente via sinal do GPS. Porém, o que aconteceria se ocorresse uma falha no software, o dispositivo desconectasse ou se desligasse?

O receptador dos dados de monitoramento do paciente também tem de ser notificado sobre o status do wearable. É necessário monitorar o dispositivo para garantir o fluxo constante e confiável das informações monitoradas. Para os hospitais que podem equipar seus pacientes com esses tipos de wearables, a integração em seu ambiente de TI é apenas o começo. Eles também devem pensar em como atualizar sua estratégia de monitoramento de rede. Lembrem-se: tudo estará conectado!

Rede industrial inteligente: Indústria 4.0

Também na indústria de transformação, dispositivos (wearables) que medem a exposição ao ruído pelos trabalhadores poderiam integrar um cenário futurístico. Ou então, imagine linhas de montagem que nunca são afetadas por interrupções não planejadas e cujo trabalho de manutenção pode ser programado para um momento específico e as peças de reposição chegam antes mesmo de a substituição ser necessária. Nada mais de luzes de advertência que piscam apenas depois de ocorrido um erro.

Esta tendência de desenvolvimento é chamada de indústria inteligente (industrial internet). Na Alemanha é conhecida por Indústria 4.0, numa referência à quarta revolução industrial, iniciada como um projeto de alta tecnologia do governo alemão. A ideia é criar redes inteligentes ao longo de toda a cadeia de valor, que pode controlar-se mutuamente de forma autônoma. Embora ainda estejamos no início dessa revolução, é importante começar a planejar. A delicada integração com a infraestrutura de TI existente não deve ser feita de forma impensada. Monitorar ‘coisas’ - neste caso, máquinas industriais complexas - não é tão diferente de monitorar dispositivos numa rede. O que importa é obter dados relevantes que podem ser analisados e utilizados com um propósito.

Monitoramento 4.0: desafio e oportunidade para a área de TI

Assim como as diferentes fases da revolução industrial, a área de TI também está em constante evolução e o monitoramento de rede contribui para este desenvolvimento. Quando foi introduzida, essa tecnologia era utilizada para monitorar dispositivos de TI físicos (Monitoramento 1.0), como roteadores ou switches. Com a virtualização de redes, novos conceitos e funcionalidades foram aplicados (Monitoramento 2.0), para reunir e processar novos tipos de informações relevantes.

O próximo passo lógico foi executar as aplicações em nuvem e ampliar ainda mais a virtualização. Para permitir que os usuários de soluções SaaS (sigla em inglês para Software como Serviço) e outras aplicações acessem seus ambientes, a conexão na nuvem deve ser acompanhada de perto (Monitoramento 3.0). E isso inclui o monitoramento de serviços e recursos de todos os ângulos, assegurando o bom funcionamento de todos os sistemas e conexões na nuvem.

Além da necessidade de continuar monitorando todos os dispositivos, máquinas virtuais e aplicações baseadas na nuvem, a Internet das Coisas inaugura uma nova era - o Monitoramento 4.0 - visto que com cada nova ‘coisa’ conectada à rede, a quantidade de dados que podem e devem ser analisados também cresce constantemente.

Devido à natureza heterogênea das ‘coisas’ e aplicações, muitas das quais, provavelmente, não imaginamos hoje, será difícil ter uma solução configurada que atenda a todos os cenários possíveis. Uma solução viável seria a utilização de sensores personalizados, já utilizados por muitas empresas.

Temos conhecimento de usuários de ferramentas de monitoramento bastante criativos, que utilizam sensores personalizados para monitorar fazendas de camarão ou refrigeradores para banco de sangue num hospital, que não se tratam de dispositivos de rede, mas sim de ‘coisas’ reais.

Com base no feedback dos clientes aprendemos novas aplicações e constantemente aperfeiçoamos o sistema de monitoramento, de modo que eles possam monitorar todas as “coisas” que desejarem.

*Dirk Paessler é CEO da Paessler AG.

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