Governos agem contra site que mostra webcams desprotegidas

Por Redação | 21.11.2014 às 10:45 - atualizado em 21.11.2014 às 14:07

O surgimento de um site russo que compila imagens de câmeras de segurança e webcams sem proteção ou criptografia alguma já está chamando a atenção de autoridades ao redor do mundo. Em comunicado emitido apenas dias depois do surgimento do Insecam.cc, os governos dos Estados Unidos e Reino Unido pediram a seus cidadãos que tenham mais cuidado com a segurança de seus dispositivos da internet das coisas.

A Federação de Comércio dos EUA, por exemplo, pede que os usuários sempre modifiquem as senhas padrão não apenas de seus aparelhos, mas também dos roteadores de internet. Caso contrário, eles são alvos fáceis para hackers e podem resultar não apenas em uma invasão de privacidade como o site, mas também em casos mais graves como o roubo de dados ou o vazamento de imagens íntimas. Além disso, é importante sempre atualizar o firmware dos gadgets, de forma que possíveis brechas de segurança sejam corrigidas.

Já o governo do Reino Unido, além de alertar seus cidadãos, pediu às autoridades russas o fechamento do Insecam. No momento em que esta matéria é escrita, a página se encontra fora do ar e mostra uma mensagem do servidor. Não se sabe se isso tem a ver com a polêmica levantada pelo site ou trata-se apenas de uma coincidência.

Antes de sumir, mesmo que momentaneamente, o próprio site se defendia de acusações como as que estão sendo feitas pelas autoridades. De acordo com o criador, que preferiu permanecer anônimo dos registros, como cita texto da PC World, a ideia é alertar de forma bastante direta sobre os riscos desse tipo de abertura. O Insecam dizia não efetivamente transmitir as imagens das câmeras, encontradas em ferramentas de busca como o Google, e sim tirar screenshots delas a cada hora.

Para as autoridades do Reino Unido, a capacidade de acessar uma câmera de segurança remotamente é ao mesmo tempo o grande ponto positivo e negativo dos novos equipamentos. Muitos deles utilizam autenticação em duas etapas ou outros protocolos pesados de segurança, mas os fabricantes pouco podem fazer a não ser instruir seus usuários. E eles justamente estariam ignorando a importância desse tipo de produto em termos de segurança e invasão de privacidade.

A presença de webcams desprotegidas plenamente disponíveis na internet constitui uma ameaça em praticamente todos os sentidos. Bandidos, por exemplo, podem conhecer a rotina de uma família e o posicionamento das câmeras antes de planejarem um ataque. Ao mesmo tempo, só que à distância, hackers podem obter outros dados valiosos e conseguir acesso à rede sem fio da residência, conseguindo dados sigilosos a partir da conexão aberta.

Ambos os governos ainda não falaram sobre possíveis medidas contra o criador do Insecam. Ainda não se sabe, exatamente, quem ele é e seu site permanece em uma área bastante cinza da legislação. Aparentemente, nem é hora de pensar nisso e a preocupação atual, pelo jeito, encontra-se focada na segurança das pessoas afetadas.