Edward Snowden é autorizado a permanecer na Rússia por mais três anos

Por Redação | 07.08.2014 às 17:31
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O ex-técnico da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos, Edward Snowden, recebeu uma autorização da Rússia que lhe garante permanecer no país por um prazo de três anos. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (7) pelo advogado do norte-americano, Anatoli Kucherena.

"A decisão sobre o pedido foi tomada e, a partir de 1º de agosto de 2014, Edward Snowden recebeu permissão de residência de três anos [na Rússia]", comentou o advogado. De acordo com o jornal britânico The Guardian, Snowden também poderá realizar viagens para o exterior e ficar em outros países por até três meses em cada viagem. Além disso, Kucherena disse que o ex-agente poderá estender sua estadia em território russo por mais três anos a partir de agosto de 2017 e garantir cidadania russa dois anos depois, em 2019, quando completaria cinco anos morando no país.

Snowden partiu de um voo em Hong Kong e chegou ao aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou, em 23 de junho de 2013, pouco depois de divulgar um giantesco esquema de ciberespionagem comandado pelo órgão de inteligência americano. Antes de conseguir asilo político na Rússia, ele tentou contactar vários países para conseguir ser asilado, entre eles o Brasil. "Foi um pedido formal", comentou o ex-técnico em uma entrevista ao programa Fanástico, em junho deste ano.

Ninguém sabe onde Snowden está morando na Rússia, nem mesmo seus parentes ou amigos mais próximos. Segundo ele, a Rússia não é um país perfeito, pois monitoram a internet e censuram fortemente a imprensa, mas que o dia a dia no país é melhor do que estar na prisão. Antes de receber asilo, o jovem teve de passar 40 dias na área de trânsito do aeroporto de Moscou porque o passaporte dele foi cancelado, impedindo-o de viajar para outros países.

"Eu nunca escolhi vir para a Rússia. Eu estava a caminho da América do Sul [para o Equador]. Mas os Estados Unidos cancelaram meu passaporte e eu não pude mais viajar. Fizeram de propósito para poder dizer: ‘Ele é espião russo’", disse. "Foi muito tenso [ficar na área de trânsito do aeroporto]. Você não sabe o que vai acontecer naquele dia. O que vai acontecer enquanto você dorme. Se alguém vai bater na porta. Se alguém vai derrubar a porta".

Na mesma entrevista, Snowden também afirmou ter certeza de que os russos possuem algum tipo de programa de vigilância, mas que ele não percebe nada. Ele ainda declarou levar uma vida "surpreendentemente aberta" e até é reconhecido pelas pessoas quando vai a lojas de computadores. No entanto, se negou a comentar se sai às ruas disfarçado ou como Edward Snowden. "Melhor eu não responder essa", disse.

Segundo o advogado Kucherena, Snowden está estudando russo e possui um emprego relacionado a área de TI, mas não forneceu detalhes. O ex-agente mora em uma residência que não foi fornecida por autoridades russas e não é protegido de agentes do governo, mas vive acompanhado de seguranças particulares. "Ele leva uma vida bastante modesta. Vai para lojas, museus e teatros. Mas também precisamos pensar sobre sua segurança", disse Kucherena. Ao The Guardian, Snowden afirmou estar "financeiramente seguro para o futuro".

Boa parte dos arquivos que comprovam o gigantesco esquema de monitoramento online da NSA já foi divulgada, mas Snowden afirma que ainda existem milhares de documentos com os maiores segredos da espionagem norte-americana. Acredita-se que ele tenha se apropriado de 1,7 milhão de documentos secretos guardados em computadores da agência. Os arquivos revelaram programas executados pela NSA que reuniam informações sobre e-mails, telefonemas e o uso da internet por milhões de pessoas em todo o mundo, até mesmo de diplomatas como a chanceler alemã Angela Merkel e a presidente Dilma Rousseff.

Snowden é acusado pelo governo dos Estados Unidos de traição pelo ato de espionagem, uma lei feita em tempos de guerra que prevê julgamento sem defesa pública. Ele também é acusado pelo roubo de propriedade do governo, comunicação não autorizada de informações de defesa nacional e comunicação internacional de inteligência sigilosa por uma pessoa não autorizada. Há ainda a acusação de que Snowden atrapalhou a relação norte-americana com países amigos, vazando documentos com revelações que comprovam que os EUA e seus aliados (Inglaterra, Canadá, Austrália e Nova Zelândia) grampearam os telefones e monitoraram os e-mails de empresas e líderes globais.