Diretor do FBI volta a criticar criptografia no Android e iOS

Por Redação | 13.10.2014 às 17:20

O diretor do FBI, James Comey, voltou a criticar as empresas de tecnologia, principalmente o Google e a Apple, pelos sistemas de criptografia de informações aplicados no Android e iOS. Segundo ele, tanta proteção dificulta o trabalho da polícia no combate ao crime digital e atrapalha na investigação de casos como terrorismo, distribuição de pornografia infantil, extorsão e sequestro, apenas para citar alguns.

Ele é um crítico confesso dos métodos de proteção aplicados pelas companhias após os escândalos detonados por Edward Snowden no ano passado. Como resposta, tanto o Google quanto a Apple criaram sistemas que impedem que até mesmo as próprias companhias acessem os dados de seus usuários, o que para Comey, complicou a quebra de sigilo e a obtenção de informações após a obtenção de um mandado judicial.

O diretor, porém, diz não ser a favor de espionagem. Mas, por outro lado, em entrevista ao programa americano 60 Minutes, disse ser a favor da segurança e não que as empresas sigam “longe demais” na hora de aplicar sistemas de proteção. Para ele, a criptografia instalada dificulta o trabalho de todos e pode configurar até mesmo uma quebra nas leis, já que pode ser impossível obter os dados desejados mesmo em posse da determinação de um juiz.

“Como país, não sei porque colocaríamos as pessoas à frente da lei”, disse ele, como reproduzido pelo Apple Insider. “Carros com porta-malas que jamais podem ser abertos pela Justiça, ou um apartamento que não pode ser invadido por policiais, mesmo com mandado. Você gostaria de viver nessa vizinhança?”.

Apesar de criticar as medidas de segurança e criptografia implementadas pelas empresas, Comey também diz ser a favor de mais controle sobre a forma como as autoridades lidam com as investigações e seus cidadãos. Para ele, esse tipo de “invasão” jamais pode ser realizado sem um mandado, e ele mesmo já bateu de frente com políticos e membros do governo em questões relacionadas à proteção das informações, questões que acabaram causando, justamente, o escândalo de espionagem recente.

Por isso mesmo, ele afirmou durante a entrevista que o FBI não realiza vigilância ostensiva sem mandatos judiciais. Comey admite que a obtenção de autorizações é um processo custoso e burocrático, mas disse “gostar assim”, já que isso equivale também a uma garantia de que os direitos dos cidadãos estão sendo protegidos e que apenas aqueles realmente suspeitos terão sua privacidade invadida para fins de investigação.