Diretor de inteligência dos EUA diz que ataque à Sony é o pior já feito no país

Por Redação | 07 de Janeiro de 2015 às 17h42

O diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, James Clapper, afirmou nesta quarta-feira (7) que o ciberataque contra a Sony Pictures, pelo qual Washington culpou a Coreia do Norte, é o ataque mais grave do tipo já realizado contra interesses norte-americanos. Segundo a Reuters, Clapper disse que o setor privado precisa cobrir vulnerabilidades de seus softwares e segmentar dados para se proteger contra novos ataques.

Cerca de um mês antes dos ataques hackers contra os sistemas da Sony Pictures, o governo americano esteve em contato com os líderes norte-coreanos apontados como responsáveis pelos golpes. O encontro não tinha nada a ver com possíveis atentados virtuais, mas sim com a libertação de dois prisioneiros americanos que estavam detidos no país.

Quem lembra o caso é James Clapper, diretor de inteligência dos EUA. Ele afirma que esteve na Coreia do Norte no dia 7 de novembro e jantou com alguém que chamou apenas de General Kim, responsável pelo RGB (Bureau de Reconhecimento Geral), o departamento que estaria por trás das operações contra a Sony. A conversa teria sido recheada de acusações e ameaças, além de uma tensão constante quanto à segurança dos emissários americanos.

De acordo com o Daily Mail, o General Kim citado por Clapper é Kim Yong-chol (foto), diretor do RGB e ligado diretamente não apenas ao caso Sony, mas também a outros ataques cibernéticos semelhantes. A Unidade 5869, de onde o governo norte-americano afirma que vieram os golpes, faz parte da organização ligada à administração norte-coreana.

O jantar em questão não tratou sobre esse assunto. Apesar de uma comida que agradou muito a Clapper, ele disse ter se sentido ameaçado quando Kim passou boa parte do encontro falando sobre o terrorismo americano, com o país agindo ao lado da Coreia do Sul para depor Kim Jong-un e invadir o território a qualquer momento.

Segundo o americano, o papo envolveu até mesmo dedos sendo apontados por ambas as partes e uma “parada para respirar”, sugerida pelo intérprete que intermediou o jantar. Clapper deixou claro que não é um diplomata e o mesmo vale para Kim, o que ajudou no clima tenso da discussão, que em alguns momentos chegou a colocar dúvidas sobre a libertação dos prisioneiros. Nem mesmo a entrega de uma carta escrita pelo presidente Barack Obama acalmou os ânimos. Após o jantar, Clapper e sua equipe foram informados que o governo norte-coreano não os considerava emissários políticos e, sendo assim, não faria nada para garantir a segurança deles durante sua estada no país.

No dia seguinte, Kim voltou a convidar Clapper para uma “cerimônia de anistia”, na qual os dois americanos presos, ainda acorrentados, foram entregues. Eles embarcaram de volta aos EUA menos de 24 horas depois de sua chegada à Coreia do Norte e, de acordo com o diretor de inteligência, “nunca uma aeronave com símbolos americanos pareceu tão bela”.

Os prisioneiros eram Kenneth Bae e Matthew Miller, acusados de realizarem “ações hostis” contra o governo da Coreia do Norte. Após serem capturados, eles foram condenados a um regime de trabalho forçado, mas a libertação foi encarada pela comunidade internacional como um sinal positivo rumo à diplomacia entre os EUA e o país asiático.

No entanto, tudo caiu por terra semanas depois, quando um ataque hacker aos sistemas da Sony Pictures foi associado ao lançamento de A Entrevista. No filme, James Franco e Seth Rogen interpretam jornalistas enviados à Coreia do Norte com uma missão secreta de assassinar Kim Jon-um.

O golpe resultou no vazamento de filmes da produtora, informações pessoais de funcionários, fornecedores e até atores, além de emails que revelaram diversos planos da empresa ou intrigas pessoais entre seus membros. A Sony chegou a cancelar temporariamente o lançamento do filme, voltando atrás alguns dias depois, enquanto o governo dos EUA impôs mais sanções diplomáticas e comerciais à Coreia do Norte.

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