Descubra como o Dropbox encontra arquivos piratas em pastas públicas

Por Redação | 01 de Abril de 2014 às 11h05
photo_camera Divulgação

Uma função do Dropbox foi descoberta no último final de semana e provavelmente muita gente não sabia que existia: a capacidade de impedir que usuários compartilhem conteúdos privados contendo direitos autorais. Sem meias palavras, o serviço de armazenamento na nuvem é capaz de bloquear arquivos piratas. Até aí tudo bem, se for levar em consideração as ações da companhia em impedir que a plataforma se torne os novos Megaupload ou RapidShare, mas a polêmica fica por conta desse monitoramento. Afinal, como o Dropbox identifica qual arquivo é indevido? Será que os usuários estão sendo espionados?

Primeiro, vamos explicar o que aconteceu no fim de semana. Tudo começou quando o designer Darrel Whitelaw publicou em seu Twitter uma captura de tela que mostrava um aviso de remoção do link que tentava compartilhar. A mensagem dizia que a tarefa não foi completada porque o material em questão violava o copyright e, posteriormente, que o arquivo foi derrubado após um pedido da DMCA, a lei que rege os direitos autorais nos Estados Unidos. "Certos arquivos nesta pasta não podem ser compartilhados devido a uma solicitação de remoção em um acordo com a DMCA", dizia a mensagem.

De acordo com Whitelaw, o conteúdo que ele queria compartilhar era um vídeo protegido por direitos autorais e teria sido bloqueado porque o Dropbox apenas comparou automaticamente os dados de identificação do arquivo ao invés de analisá-lo. Quando o site considerou o material como impróprio, na mesma hora removeu o link de compartilhamento criado por Whitelaw - o arquivo continuou no disco virtual do designer.

Apesar do caso surgir só agora, esse mecanismo de proteção contra arquivos piratas existe há pelo menos dois anos. Basicamente, trata-se de uma verificação feita pelo Dropbox que faz um mapeamento não do conteúdo do arquivo, mas sim dos "hashes", uma longa sequência que pode conter mais de 30 letras e números que servem para identificar documentos legítimos. Cada hash funciona como uma impressão digital, ou seja, é único e impossível de se repetir, mas o problema é que arquivos idênticos, como duas imagens (uma original e a outra uma cópia), teriam a mesma sequência de hash.

Isso acontece devido a um sistema automatizado mantido pelo Dropbox que guarda as identificações de todos esses documentos legítimos para evitar que usuários compartilhem o mesmo material usando links diferentes. Por exemplo, quando a empresa recebe um pedido DMCA da Disney, a companhia acrescenta o hash daquele material ao sistema deixando claro que aquele conteúdo possui direitos autorais. Toda vez que algum internauta tentar compartilhar um arquivo semelhante no Dropbox, o mecanismo verifica o hash e, se identificar alguma ligação ao conteúdo original, bloqueia o link de compartilhamento.

Os termos de uso do Dropbox não deixam dúvidas de que "você [usuário] não tem o direito de compartilhar arquivos, a menos que seja o dono dos direitos autorais ou tenha permissão do dono", uma medida que a companhia tenta cumprir para evitar brigas com gravadoras e estúdios de cinema. Aparentemente, esse sistema de bloqueio funciona apenas com links públicos e, segundo a empresa, "não tem o objetivo de olhar arquivos em pastas particulares". Por outro lado, a corporação não disse se o programa de hashes faz a mesma varredura em conteúdos trocados entre usuários comuns por meio das pastas compartilhadas.

Nesse sentido, o pessoal do ExtremeTech faz uma observação interessante: "E se o governo dos EUA pediu ao Dropbox uma lista com o nome de todos os usuários que compartilharam um determinado arquivo? Claro que o Dropbox lutaria contra isso, mas sabemos que, quando se trata do governo norte-americano e suas agências de inteligência, o que constitui 'sobrealcance' é muito nebuloso", diz o site. "Também é importante ressaltar que, embora o Dropbox faça criptografia dos seus dados, ele continua sendo o único a guardar sua chave de criptografia e tem o direito de descriptografar os dados caso seja necessário", completa.

Aí vem a pergunta que fizemos no começo da matéria: estamos sendo espionados? Em todo o caso, nada melhor do que se previnir e utilizar duas ferramentas para proteger seus arquivos: o Boxcryptor (vídeo acima), que encripta os seus dados antes de fazer upload, ou uma mais simples, o 7-Zip, que reúne todos os documentos em uma única pasta. O Dropbox até pode tentar identificar esses arquivos, mas basta colocar uma senha no conteúdo zipado para evitar que isso aconteça.

Vale lembrar, mais uma vez, que os termos de uso do Dropbox estão aí e mostram que a empresa é uma das companhias mais respeitadas e sérias do mundo quando o assunto é armazenamento na nuvem, principalmente no que diz respeito à proteção e privacidade dos utilizadores da plataforma. Você pode acessar os termos clicando neste link.

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