Dell reúne especialistas para discutir impacto do BYOD e consumerização

Por Rafael Romer | 02.08.2013 às 09:50
photo_camera BRUNO HYPOLITO / CANALTECH

Consideradas tendências disruptivas da tecnologia atual, o BYOD e a consumerização foram tema de discussão da primeira edição do evento Meet The Experts, promovido pela Dell em São Paulo na última quarta-feira (31).

Tendência que começou a ganhar popularidade entre funcionários e empresas no final da década passada, o BYOD (bring your own device, ou traga seu próprio dispositivo) é exatamente o que seu nome indica: funcionários trazendo seus próprios aparelhos digitais para o trabalho, desempenhando sua função profissional e atividades pessoais em equipamentos que não foram fornecidos pela empresa. Consumerização, por sua vez, é o nome do fênomeno que tem no BYOD sua causa principal: com cada vez mais pessoas utilizando seus dispositivos no ambiente profissional, uma série de ações são necessárias para que esse desafio não prejudique a empresa.

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A partir da esq.: Fernando Berlfort, Cristina de Luca, Silvia Valadares e Adriano Silva (foto: Angelo Dimitre/Divulgação)

Segundo Manuela Barem, editora do youPIX, o jovem da atualidade já não abre mão de utilizar seus próprios dispositivos dentro da empresa que trabalha, uma vez que o ato já se tornou uma coisa natural para eles. "É uma geração que vai continuar no mercado e nunca mais vai abandonar a tecnologia", afirmou. O ponto é semelhante ao exposto pelo fundador do Qualita.me, Vinícius de Paula Machado, que afirma que é importante que as empresas vejam o BYOD e a Consumerização como uma "abundância de informação" e tirem proveito disso para estimular a inovação dentro da companhia. "A gente não está só falando de segurança e TI, mas sobre uma nova perspectiva de como você se relaciona com o seu trabalho", disse.

Desafios de segurança

"As empresas acabam enfrentando um problema de segurança quando encaram o BYOD por uma perspectiva de produto", afirmou Henrique Sei, diretor de vendas da Dell, logo ao início do debate. Segundo ele, empresas que encaram os dispositivos como problema acabam se "enrolando" no desenvolvimento de soluções de segurança, quando, na realidade, deveriam focar no perfil de uso dos dispositivos pelo funcionário dentro da empresa. "Quando você tem uma visão mais holistica e uma abordagem mais focada no usuário e na aplicação, você consegue contornar de uma forma muito mais interessante".

O foco no usuário e não no ambiente de segurança também é o que propõe o web ativista de sociedade em rede, Gil Giardelli. "A gente tem que relaxar um pouco sobre o conceito de segurança e educar os profissionais que estão lá dentro, como eles devem usar", afirmou. Ele critica a visão de alguns CTOs de atuarem como "trancadores" de redes sociais e outros sites e serviços dentro de empresas, sobre o pretexto de manter a produtividade, mas que acabam prejudicando o desempenho do funcionário. "Se o mundo hoje não é mais o maior comendo o menor, mas o mais lento ficando para trás, a consumerização é a rapidez".

Mas mesmo entre os participantes, o conceito proposto por Giardelli não foi completamente aceito – reflexo do próprio cenário de BYOD no mercado corporativo atual. "É muito complicado flexibilizar a segurança", questionou a Business Specialist da Microsoft, Silvia Valadares. Não quero flexibilizar com minha conta bancária, com meus dados de saúde, não quero flexibilizar com nada", brincou. Silvia, que gerencia cerca de três mil startups na plataforma Spark da empresa, afirma que ainda há um setor de TI muito grande dedicado à produção de soluções de segurança e que isso ainda tem importância dentro de grandes e pequenas empresas. "Tudo para garantir que a gente faça essa transição, que não tem como parar, da forma mais suave possível", explica.

Os dois pontos foram amarrados pela jornalista de tecnologia Cristina de Luca, que indicou que o setor de TI e os CIOs ainda são os responsáveis por criar soluções e processos que educam os funcionários sobre como atuar de forma segura no contexto da consumerização. "Eles não têm que ser os caras que vivem dizendo não, mas os caras que dizem 'sim, mas você precisa seguir determinadas regras que precisam ser acordadas com toda a empresa'", propôs.

Para o advogado de direito digital Leandro Bissoli, o foco da preocupação já vem mudando ao poucos do dispositivo em si para a informação que ele armazena. "Esse é o grande desafio hoje, seja através de tecnologia ou através de capacitar as pessoas sobre o uso correto", afirma.

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A partir da esq.: Adriano Silva, Gil Giardelli, Manuela Barem, Leandro Bissoli e Henrique Sei (foto: Angelo Dimitre/Divulgação)

Mas como adotar?

Além da dimensão da segurança, Bissoli afirma que o BYOD também traz questões de produtividade e trabalhistas para dentro da empresa. A tendência é reconhecida como algo que melhora a satisfação e o engajamento do colaborador com o trabalho, mas em contrapartida, é criado um ambiente "cinza" do funcionário que está trabalhando sem estar na empresa. "Isso cria um desafio jurídico, como questões de hora extra, sobreaviso, além da privacidade, monitoramento e inspeção", explica. Segundo ele, já existem hoje projetos no Brasil que propõem a flexibilização da jornada de trabalho para adoção de um modelo de metas, mas todos se encontram em um estágio embrionário.

Portanto, há a necessidade da formulação eficiente de processos e acordos entre o funcionário e a empresa, para que seja criado o ambiente exato e as regras sobre como deverá funcionar o BYOD na empresa. Entre estes processos está a capacitação do funcionário para que ele entenda como utilizar os dispositivos dentro da empresa, visando a mitigação de problemas de segurança. "Estamos em uma era de inclusão digital no Brasil, mas não trabalhamos com orientação do uso correto e seguro".

Para Henrique Sei, diretor de vendas da Dell, a adoção eficiente do BYOD passa por três dimensões importantes da empresa: primeiro, uma análise do ambiente e dos usuários, para definir como será o acesso a documentos e aplicações da corporação, por quais colaboradores eles poderão ser acessados e em quais momentos. A segunda fase é da implementação em si, que deve passar por uma criação sólida de processos e governanças. E, por fim, o processo de suporte. "Aí é onde as empresas têm falhado muito", explica. "Hoje se pensa só no suporte do dispositivo. Ele extrapola o dispositivo".

O executivo também afirma que é necessário modificar a forma de se medir a produtividade dentro de uma empresa, já que com o BYOD o funcionário pode estar trabalhando em qualquer ambiente a qualquer hora, e não mais apenas dentro do escritório. "Não é mais por hora trabalhada, é por resultado entregue", sugere. "Os paises com maior adoção de BYOD têm uma relação trabalhista mais tênue, mais suave, menos protetora do funcionário, e este não é caso do Brasil".

Meet The Experts

Realizado globalmente pela Dell, o Meet The Experts tem o objetivo de promover a discussão de temas de relevância para o mercado, reunindo especialistas e executivos para a troca de experiências para implementação de novas soluções de TI no mundo nos negócios. A Dell deve realizar mais dois eventos do tipo ainda neste ano, mas ainda não há confirmação sobre os temas e palestrantes.