Consumerização avança entre empresas brasileiras, aponta estudo do IDC

Por Rafael Romer | 08.10.2013 às 19:48

A empresa de pesquisas de mercado IDC apresentou nesta terça-feira (08), em conjunto com a Intel, os dados preliminares de seu levantamento "Mobilidade Corporativa", que explora o avanço das tendências de consumerização e do uso de tablets e smartphones pessoais no ambiente corporativo, conhecido como Bring Your Own Device (BYOD).

Segundo os resultados, os uso de dispositivos móveis pessoais avança cada vez mais entre empresas brasileiras, com 38% delas já liberando o uso de smartphones e, 29%, de tablets para acessar dados corporativos. No ano passado, os percentuais analisados foram de 30% e 27%, respectivamente. O Brasil também permanece pouco à frente da média quando comparado com o resto do continente. Na América Latina, a tendência do acesso de dados corporativos via smartphones já chega a 33%, e a 28% via tablets. "Até 2011, [as equipes de TI] permitiam o uso [de dispositivos] porque não tinham uma política. A partir de 2012, começaram-se a criar as políticas de BYOD: quem vai usar, por que vai usar, por que precisa usar... começaram a se estabelecer alguns critérios", explica o supervisor de pesquisa do IDC, Bruno Freitas.

A tendência cresce lado a lado com o aumento no número total de vendas de smartphones e tablets no país, que tem previsão de chegar a 53 milhões de novas ativações em 2013. Os smartphones devem representar 73% do total do volume de vendas dos chamados dispositivos inteligentes, superando as porcentagens de notebooks, tablets e desktops. Em 2015, a expectativa é que os tablets ultrapassem também os notebooks.

A pesquisa também notou uma redução no uso de notebooks e desktops por aqueles que adquiriram seus primeiros tablets. Entre os novos usuários de tablets, 33% afirmaram utilizar menos os desktops a partir da compra, o que também traz uma nova perspectiva para o mercado. "Isso tem mudado a realidade do mercado. Se muda para o usuário doméstico, muda para o corporativo também", explica Freitas. Na medição mais recente, do segundo trimestre de 2013, 18% das vendas de tablets já são feitas pelos setores corporativos e pelo setor público.

Segundo o analista do IDC, a consumerização já não é mais uma questão de escolha para a TI de empresas, e deverá ser implantada eventualmente dentro destas companhias. "Ignorar já não é uma opção porque a gente não está falando só de tecnologia, mas de uma geração que já tem essa visão maior de flexibilidade", explica.

Isso não significa, no entanto, que o processo será simples. De acordo com a consultoria, o modelo continua trazendo dores de cabeça aos departamentos de TI por trazer graves riscos de segurança e privacidade. No Brasil, apenas apenas 40% dos dispositivos móveis pessoais são inclusos em plataformas de gerenciamento de dispositivos móveis (MDM). O índice também é inferior ao da América Latina, que já tem 47% dos aparelhos dentro de MDMs. "É um desafio porque não há muitos casos, então é difícil buscar referências para políticas. Empresas que conseguiram lidar com isso criaram um grupo não só da área de TI, mas que envolve a área de negócios, RH, jurídica... Existe um fator que pode impactar nos negócios".

Com o avanço da tendência, o mercado abre cada vez mais espaço e passa a requisitar soluções corporativas móveis, como CRM, ERP e SFA. Segundo a pesquisa, em empresas com mais de 250 funcionários, apenas 19% usam alguma aplicação do tipo. O índice é ainda pior entre as pequenas empresas, com menos de 250 funcionários: só 12% utilizam alguma solução. Os tablets também são os dispositivos preferidos para acessar esse tipo de solução, enquanto smartphones permanecem os mais utilizados para acesso a mensagens e e-mails. “Na nossa visão, a adoção dessas aplicações é uma tendência clara, porque o usuário já está trazendo dispositivos”, afirma. “Os grandes players de software hoje já estão adquirindo empresas que ofereçam aplicações móveis ou criando soluções que envolvam aplicações móveis”.

A pesquisa entrevistou 288 profissionais tomadores de decisão em áreas de TI, como gerentes de TI, CIOs e CTOs em empresas com mais de dez funcionários e áreas de atuação como financeira, manufatura, comércio, setor público, educação e serviços.