Companhias lutam para proteger suas redes da NSA

Por Redação | 17 de Junho de 2014 às 12h50

Um ano após as revelações de Edward Snowden sobre a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos, uma série de mudanças aconteceu na relação entre o governo americano e as grandes empresas de tecnologia. O Google é um dos que lideram uma corrida contra a NSA na tentativa de dificultar a invasão dos seus sistemas pela agência e serviços de segurança, revelou uma reportagem do New York Times na Folha de S. Paulo.

A companhia está criptografando uma quantidade muito maior de dados, transferindo servidores e também ajudando seus clientes a codificarem os próprios e-mails. Mas não só o Google está tomando precauções contra a NSA. Facebook, Microsoft e Yahoo! seguem o mesmo caminho.

Edward Snowden

A segurança, no entanto, não está ameaçada apenas por Washington, mas Pequim e Moscou também colocam em risco a privacidade dos usuários. Com a fase de cooperação com os governos extinta, essas companhias buscam manter seus mercados ameaçados após as revelações, como o Brasil e a Alemanha, que inclusive cogitaram banir essas empresas utilizando apenas servidores locais.

Entre uma das ações realizadas pelo Google para aumentar o controle sobre as informações dos clientes está a instalação dos próprios cabos de fibra óptica através do oceano. A ideia surgiu para reduzir custos, no entanto, agora terá uma nova função.

Com a recusa das companhias de cederem informações aos governos, limitando-se àquelas previstas em lei, os governos também atacam. No início deste mês a Vodafone informou que um “reduzido número” de governos exigiu acesso direto às suas redes de comunicação, o que causou indignação.

A Vodafone não identificou quais países fizeram a solicitação por receio de colocar em risco funcionários e a própria presença da empresa nesses locais. Entretanto, afirmou que agência e autoridades locais nesses países tinham acesso às comunicações dos clientes por meio de um link direto próprio. A companhia ainda confirmou que cedeu algumas solicitações em respeito às leis vigentes nos países, pois o descumprimento poderia resultar na perda de licença nesses territórios.

Enquanto as empresas deixam de colaborar, Robert Litt, conselheiro-geral do Departamento de Inteligência Nacional e responsável por 17 agências de espionagem, afirma que é um grande prejuízo para o país que essas empresas não estejam mais colaborando voluntariamente com os serviços de segurança e ainda completa que se, cedo ou tarde, acontecer um problema de segurança, as pessoas se perguntarão por que as agências não foram capazes de contê-lo.

Em contrapartida, as empresas afirmam que se algo semelhante acontecer, a culpa será exclusiva do governo americano e que as agências acabaram com a segurança que já existiu na rede.

Para conter a insegurança gerada em seus clientes, a Microsoft irá adotar, até o final do ano, uma criptografia de 2.048 bits, mais forte e difícil de ser derrubada, em todos os seus produtos, inclusive o Hotmail e Outlook.com.

Microsoft

O conselheiro-geral da Microsoft, Bradfort Smith, disse que a companhia está instalando “centros de transparências” no exterior, onde técnicos dos países poderão inspecionar o código-fonte da empresa como uma forma a mais de se certificar que não há brechas para uma invasão da NSA. Bruxelas está recebendo o primeiro centro deste tipo.

A Cisco, fabricante de roteadores e computadores, também viu seus negócios caírem, principalmente na Ásia, Brasil e Europa, após ser citada nas revelações de Edward Snowden. No entanto, a empresa ainda está com dificuldade de convencer seus clientes de que suas redes estão protegidas contra invasões da NSA.

Para as empresas, o mais frustrante é que é praticamente impossível convencer seus clientes que as redes estão seguras contra as invasões, pois não se tem como provar tal afirmação.

Outra mudança recente na forma como essas empresas lidam com o governo americano foi o modo como acontecem as solicitações de dados. Até o ano passado as empresas eram proibidas de identificar essas solicitações, mas no começo deste ano Google, Facebook, Yahoo! e Microsoft fecharam um acordo com o governo americano para divulgar o número dessas solicitações em grupos de mil. Enquanto isso, em contrapartida, as empresas concordaram em arquivar os processos existentes no Tribunal de Vigilância de Inteligência Estrangeira.

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