Brasil terá centro de certificação de equipamentos para evitar espionagem

Por Redação | 15 de Agosto de 2013 às 13h45
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Ainda em 2014, o Brasil terá um centro de certificação de equipamentos que garantirá ao governo mais segurança sobre a utilização de aparelhos eletrônicos e, assim, evitar possíveis casos de espionagem e monitoramento de dados pela internet, como revela reportagem da Agência Brasil.

O general Sinclair Mayer, chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, afirmou nesta quarta-feira (14) que o uso de equipamentos importados para o monitoramento de redes representa um grande risco para a preservação de dados, e a dificuldade é ainda maior já que a indústria nacional não é capaz de fornecer todos os equipamentos necessários.

Para evitar vazamento de informações, o governo brasileiro está desenvolvendo "um centro de certificação de equipamentos que possam ser usados de forma mais segura", revelou Mayer durante audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir sistemas de proteção e fluxo de informações no Brasil. Com isso, o governo pretender evitar a utilização de equipamentos que possuam "portas que permitam o vazamento de informações não desejadas", informou o general.

Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, presente na audiência, disse que tem "certeza de que eles [Estados Unidos] fazem um monitoramento mais profundo" do que somente de metadados. Para o ministro, o caso de espionagem revelado recentemente pelo ex-funcionário da CIA, Edward Snowden, reforça a necessidade de criação de um marco civil da internet mais forte no Brasil.

"Após ter sido informado de que foi monitorado pelos Estados Unidos, o governo da Alemanha anunciou nesta semana medidas como a obrigatoriedade de armazenamento de banco de dados de empresas [de internet] no próprio país. Nós temos de fazer o mesmo, e isso pede uma medida legislativa", afirmou Bernardo, defendendo que estas medidas estejam inclusas no Marco Civil.

Raphael Mandarino Júnior, diretor do Departamento de Segurança da Informação e Comunicações (Dsic), do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), afirmou que o órgão registra em torno de 2.100 incidentes por hora em redes do governo federal na internet, com alguns dos incidentes relacionados a tentativas de coletas de informações nos bancos de dados governamentais.

"O que não se consegue resolver é enviado à minha equipe. São cerca de 60 incidentes por dia. Nosso expediente não termina até que o solucionemos", comentou o diretor, que também elogiou os sistemas de segurança, especialmente os algoritmos, que foram desenvolvidos em parceria com a Abin (Agência Brasileira de Inteligência). "Há algoritmos sendo usados há cerca de 12 anos sem que nunca tenham sido quebrados. Por isso eles serão colocados à disposição de toda a segurança pública. [Até porque] qualquer celular é uma janela para atacar qualquer rede".

Segundo o diretor do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento para Segurança das Comunicações da Abin, Otávio Carlos Cunha da Silva, um dos algoritmos citados por Mandarino tem protegido as comunicações do Estado há três anos. "O domínio de tecnologias é a grande solução [para evitar problemas de monitoramento indesejados de informações do Estado]", ressaltou o diretor.

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