'Brasil precisa proteger Snowden para obter mais informações', diz jornalista

Por Redação | 10 de Outubro de 2013 às 06h45
Divulgação

Glenn Greenwald, o jornalista norte-americano que tornou públicas as ações de espionagem dos Estados Unidos no Brasil, defendeu durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a ideia de que o governo brasileiro deveria ceder "abrigo" a Edward Snowden para obter mais informações. Os dados são do G1 e O Globo.

Greenwald esteve em Brasília na tarde desta quarta-feira (9) para prestar esclarecimentos sobre a estrutura de vigilância da Agência Nacional de Segurança (NSA) com relação a empresas e órgãos do governo. Nos últimos meses, documentos divulgados por Snowden revelaram que foram interceptadas comunicações da Petrobras, do Ministério de Minas e Energia e até da presidente Dilma Rousseff.

Snowden vive hoje asilado na Rússia. O local onde o ex-funcionário da NSA se encontra é mantido em segredo e, segundo seu advogado, Snowden corre perigo. "Quase ninguém quer proteger uma pessoa que é responsável por deixar o mundo descobrir isso", disse Greenwald na CPI. "Se o governo quer informações, deve proteger ele [Snowden] para que tenha liberdade para trabalhar. Ele está muito limitado para falar e corre o risco de os Estados Unidos o capturarem".

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Em julho, Snowden pediu asilo político ao Brasil, mas a assessoria do Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) optou por não responder naquele momento.

Glenn Greenwald

No depoimento, Greenwald afirmou que a espionagem conduzida pelo governo norte-americano contra outros países tem objetivos comerciais e de dominação política. Segundo ele, os Estados Unidos mentem quando dizem que o sistema de monitoramento é usado apenas para proteger a sociedade americana contra possíveis ameaças terroristas.

"Posso reafirmar que o objetivo principal não é o sistema de segurança nacional, sobre terrorismo. É para aumentar o poder do governo americano. O outro motivo é a vantagem econômica", disse. O jornalista ainda declarou que está sendo alvo de ameaças pelo governo dos EUA por divulgar informações secretas de seu país. No entanto, disse que não vai parar "até que o último documento seja publicado".

O companheiro do jornalista, David Miranda, também foi chamado para prestar depoimento. O brasileiro foi detido no aeroporto de Heathrow, em Londres, no dia 18 de agosto, quando tentou embarcar para o Brasil com documentos fornecidos por Edward Snowden.

Durante o interrogatório, o senador Pedro Taques (PDT-MT) e o relator Ricardo Ferraço (PMDB-ES) pediram para que Glenn Greenwald entregue ao Senado todos os documentos que ainda não foram divulgados sobre a espionagem norte-americana envolvendo o Brasil. O jornalista negou o pedido com a justificativa de que "os dados repassados a ele por Snowden serão devidamente divulgados conforme forem analisados por ele".

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