BitTorrent lança app de mensagens e chamadas “a prova da NSA”

Por Redação | 04.08.2014 às 15:31
photo_camera Divulgação

Sempre na mira das autoridades, o BitTorrent está anunciando uma novidade que pode muito bem colocá-lo à frente do governo norte-americano quando o assunto é segurança. De acordo com a empresa, nesta quarta-feira (06) será lançado o Bleep, um aplicativo ainda em versão de testes capaz de realizar chamadas telefônicas e ligações pela internet de forma completamente segura.

Caracterizado como um app “a prova da NSA”, ele funciona pela mesma tecnologia usada para downloads: o P2P. Aqui, exclui-se a necessidade de um servidor central para o uso, com todas as conexões para envio de textos e chamadas sendo realizadas entre os computadores dos próprios usuários. Assim, toda a comunicação é compartilhada apenas entre os envolvidos e não aparece em outros servidores, que poderiam ser invadidos por órgãos de segurança ou espionagem. Nem mesmo a própria fabricante tem acesso às informações.

Por enquanto, de acordo com o Phys.org, a solução está limitada apenas a computadores que rodem os sistemas operacionais Windows 7 e 8. Além disso, o Bleep estará disponível apenas para usuários convidados, já que se trata ainda de uma versão Beta e, sendo assim, com diversos problemas e até mesmo algumas falhas de segurança.

Os trabalhos no sistema de comunicação acontecem desde setembro e fazem parte de uma iniciativa da BitTorrent para ampliar seus serviços ao redor da tecnologia do download. Neste ano, por exemplo, ela também lançou o Sync, capaz de sincronizar arquivos baixados em diversos dispositivos, e o Bundles, um serviço de publicação e distribuição digital de jogos, entretenimento e outros tipos de conteúdo.

Além de dispensar a utilização de servidores, o Bleep também aplica forte criptografia à comunicação trocada entre os usuários, voltada mais para proteger a identidade deles do que o conteúdo das mensagens ou chamadas. É uma camada adicional de segurança para o que o BitTorrent chama de uma solução que sai na frente das demais, justamente por dispensar o uso de uma infraestrutura central e, assim, não utilizar metadados, que poderiam ser interceptados pela NSA.

Outro fator bastante usado por quem rastreia usuários de downloads ilegais, por exemplo, não existe aqui: as listas de conteúdo, que permitem obter os usuários que baixaram. No Bleep, tudo funciona com uma comunicação direta entre os endereços IP dos usuários, habilitando a comunicação por meio do envio de solicitações.

Isso, porém, não significa que o Bleep seja uma solução segura. Ao não utilizar servidores, o BitTorrent mais dificulta o trabalho das agências de segurança do que efetivamente impede a espionagem. Agora, em vez de grampear uma única infraestrutura, uma agência de segurança interessada em espionar usuários teria que varrer a internet em busca das comunicações, uma a uma, de maneira individual. Um trabalho gigantesco e bastante custoso, mas que seria perfeitamente possível.

Os usos para esse tipo de tecnologia, claro, são infinitos e valem tanto para o lado do bem quanto para o do mal. Mas Jaehee Lee, diretor sênior de produto da BitTorrent, indica três categorias de usuários que ficarão bem satisfeitos com o Bleep: diplomatas trocando informações sensíveis pela internet, jornalistas em contato com fontes que desejam proteger ou empresários falando sobre segredos de suas companhias com contatos comerciais ou outros diretores. Todos aqueles que não deveriam utilizar o Skype, para começar, e agora, podem contar com uma solução mais segura.

Há, porém, um fator que pode acabar colocando a utilização do Bleep em xeque. O congresso dos Estados Unidos já estuda a extensão da obrigatoriedade de registro de comunicações, hoje exigidas apenas das operadoras de telefonia, também para as empresas de internet. Isso incluiria também o BitTorrent que, nesse caso, teria de acabar com seu novíssimo software, modificá-lo justamente em sua principal função ou, então, passar a operá-lo de fora dos EUA, o que poderia trazer complicações jurídicas maiores.