Avast lança nova versão do antivírus com proteção para redes domésticas

Por Rafael Romer | 13.11.2014 às 09:56

A Avast apresentou nesta quarta-feira (12) as novidades da versão 2015 de sua solução de segurança lançada oficialmente no final de outubro.

O destaque do novo software é a integração de um sistema para proteção de redes domésticas, que atua na identificação de potenciais riscos e na prevenção de sequestros do servidor DNS. A nova ferramenta está disponível em todas as versões do software da Avast, inclusive a gratuita.

"É uma espécie de escâner que varrerá os dispositivos conectados à rede doméstica, em especial o roteador, e analisará o estado de segurança", explicou o COO da Avast, Ondrej Vlcek, em entrevista ao Canaltech. "Roteadores são como minicomputadores, com seu próprio sistema operacional, processador, memória. E esse firmware é geralmente muito inseguro".

De acordo com um levantamento realizado pela empresa com 18 mil usuários das suas soluções, 81% das redes Wi-Fi domésticas do Brasil correm o risco de sofrer algum tipo de ataque através de roteadores.

Globalmente, metade dos roteadores tem problemas na configuração padrão, que costuma usar uma combinação fraca de nome de rede e senha, como admin/admin ou admin/senha. Cerca de 30% dos consumidores também utilizam os próprios endereços, nomes ou números de telefone como senha. No Brasil, um em cada três roteadores se encaixa nesse problema.

A primeira função do novo sistema é realizar a criptografia do tráfego da rede entre os dispositivos protegidos pela Avast e o próprio servidor DNS da empresa, impedindo que usuários sejam redirecionados para sites maliciosos ao tentarem entrar em sites legítimos que foram hackeados.

Além disso, o sistema também informa o usuário sobre a qualidade da instalação de sua rede doméstica, indicando a presença de senhas fracas ou de possíveis vulnerabilidades do sistema.

O tamanho do mercado brasileiro

O Brasil é hoje o maior mercado do mundo em número de usuários para a Avast, com 35 milhões de usuário ativos divididos entre as soluções gratuita e paga da empresa. O valor é o dobro do segundo país na lista - França e Rússia, que se revezam no segundo e terceiro lugar, seguidos pelos Estados Unidos, em quarto.

Globalmente, a empresa tem hoje mais de 175 milhões de usuários desktop e cerca de 50 milhões de usuários móveis. Apesar disso, o nosso país ainda é o terceiro nas receitas da empresa, atrás dos Estados Unidos e França - realidade que aos poucos vai se modificando, de acordo com o CEO da empresa, Vicent Steckler.

"O Brasil tem sido o mercado de crescimento mais rápido nos últimos dois ou três anos em termos de usuários e receitas", afirmou ao Canaltech. "Tipicamente, o país cresce entre 40% e 50% ao ano em receitas".

Ainda de acordo com ele, houve um crescimento "natural" de receita no Brasil nos últimos anos, conforme uma "saturação" do modelo gratuito vai levando mais e mais usuários às soluções pagas completas da empresa.

Mas o crescimento também foi puxado por uma série de iniciativas da empresa para a localização do produto, como a venda através de cartões de crédito e débito nacionais e de boleto bancário.

Para continuar a ascender, agora a empresa deve focar na aquisição de mais clientes corporativos de suas soluções, em especial as chamadas pequenas e médias empresas (PMEs) - companhias com até 100 licenças de produto. Globalmente, apenas 8% da renda da Avast é originada no setor corporativo.

"Essa parte do mercado está utilizando amplamente nossas soluções gratuitas, ainda que não seja essa a ideia, já que o produto gratuito é para uso não-comercial", explicou o Steckler. "Então estamos reentrando no mercado das PMEs com um modelo freeemium. com um ótimo produto gratuito, mas com utilidades extras pagas".

Com pouco mais de 500 funcionários, a Avast foca hoje em um modelo de venda, suporte e desenvolvimento quase 100% online, com poucas pessoas fora de seu escritório central em Praga, na República Checa. Apesar disso, a empresa planeja expandir seu time brasileiro para suportar o crescimento local - por ora, sem escritório físico. Atualmente, há apenas um representante do setor de vendas da empresa no Brasil, mas o reforço deverá chegar em breve.

"Nós queremos um presença mais efetiva no Brasil, é um mercado muito importante para nós e nós poderíamos aprender mais e melhorar a operação se tivéssemos mais pessoas aqui", disse o CEO.