Governo australiano comete gafe e vaza dados de vários líderes mundiais

Por Redação | 01 de Abril de 2015 às 16h30
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Os 19 países mais poderosos do mundo e mais a União Europeia se reuniram em novembro do ano passado em Brisbane, na Austrália, para a 9ª Cúpula do G20. Até aí nada fora do comum. O problema é que ninguém esperava que um funcionário do Ministério da Imigração australiano não soubesse usar corretamente o Microsoft Outlook e acabasse vazando os dados pessoais de alguns dos mais importante líderes mundiais sem querer.

Em uma carta obtida pelo jornal britânico The Guardian, um funcionário da Comissão Australiana de Privacidade explica o que aconteceu: "A causa da violação de privacidade foi um erro humano. [Omitido] não conferiu se a função de preenchimento automático no Microsoft Outlook inseriu detalhes da pessoa correta no campo 'Para'. Isto fez com que o e-mail fosse enviado para a pessoa errada".

Entre os políticos afetados estão Dilma Rousseff, Barack Obama, Vladimir Putin e Angela Merkel. Os dados vazados incluíam nome, data de nascimento, cargo, nacionalidade, número do passaporte, número de concessão de visto e subclasse de visto e foram enviados para um membro do comitê organizador local da Copa da Ásia.

De acordo com o funcionário que falou ao Guardian, o destinatário excluiu o e-mail e esvaziou sua pasta de itens excluídos, e por isso a história não foi divulgada na época: "Tendo em conta que os riscos da violação são considerados muito baixos, mais as ações que foram tomadas para limitar a propagação do e-mail, eu não considero necessário notificar os clientes sobre isso", concluiu o funcionário.

Neste mês de março, a Austrália aprovou uma lei que exige que as operadoras de telefone e internet armazenem os metadados de seus clientes por dois anos - semelhante ao que faz o Marco Civil da Internet no Brasil.

Líderes da oposição australiana, como a senadora Sarah Hanson-Young, criticaram a posição do primeiro-ministro do país, Tony Abbott, cobrando explicações sobre por que as vítimas do vazamento não foram notificadas imediatamente.

Outros oposicionistas apontaram a ironia que era o governo ter aprovado uma lei que permitiria armazenar dados da população na mesma semana em que informações sobre líderes mundiais eram enviadas por e-mail para um destinatário equivocado.

Essa não é a primeira vez que o departamento de imigração da Austrália comete uma gafe com informações sigilosas. Em 2014, dados pessoais de cerca 10.000 pessoas foram publicados em um arquivo no site oficial da instituição, o maior vazamento da história do país.

"Esta é mais uma séria gafe de um governo incopetente", concluiu a senadora Hanson-Young .

Fonte: The Guardian

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