AVG revela estudo sobre uso da internet entre crianças brasileiras

Por Rafael Romer | 22 de Janeiro de 2014 às 20h01
photo_camera Divulgação

81% das crianças de até dois anos de idade no Brasil já têm algum tipo de postagem a seu respeito em alguma rede social, revela um estudo recente divulgado pela AVG nesta quarta-feira (22), durante o lançamento do e-book "Proteja nossas Crianças e Jovens", do autor e evangelizador de segurança digital da AVG, Tony Anscombe.

Os números da pesquisa global da empresa só devem ser revelados na próxima semana, mas a prévia brasileira já adianta o uso intensivo de computadores, tablets, smartphones e acesso à Internet pelos jovens do país. 97% das crianças entre 6 e 9 anos de idade já usaram a web no Brasil.

Talvez um dos resultados que mais surpreendem é o fato de 54% destas crianças já estarem no Facebook, apesar da idade mínima da adesão do site ser 13 anos. "O problema aqui é se estamos encorajando nossas crianças a tomarem decisões maduras sobre publicidade e publicação de conteúdo. Nós estamos forçando as crianças a crescerem rápido demais", afirma.

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AVG

Para Anscombe, não há idade certa para que uma criança ou adolescente passe a utilizar a internet: tudo depende dos pais e do próprio jovem (Foto: Divulgação/Marcos Fernandes)

Presente na mesa de debate do evento, o promotor de justiça Carlos Fortes também atenta que a adesão da criança à rede social pode acabar na responsabilização criminal dos pais por falsa identidade. Para enfrentar esse tipo de situação, ele sugere a criação de perfis cogeridos, criados por pais em nome da criança e com conteúdo regulado pelos responsáveis.

A pesquisa revela ainda que crianças entre 3 e 5 anos também estão cada vez mais próximas de dispositivos com acesso à internet. 76% delas sabem desligar e ligar um tablet ou computador e 73% já utilizam algum game virtual. 42% já sabem fazer uma ligação telefônica, apesar de 43% não serem capazes de escrever o próprio nome.

Para Anscombe, não há idade certa para que uma criança ou adolescente passe a utilizar a internet: tudo depende dos pais e do próprio jovem. O importante é que seja mantido um relacionamento próximo sobre o que exatamente está sendo visualizado na internet, e que todos conversem sobre quais serão os limites estabelecidos. "Eu não acredito no bloqueio de conteúdo, acredito na educação e conversa com o jovem", afirma. "Se você tem algum tipo de bloqueio, [o jovem] vai acessar com outra pessoa ou em outro lugar".

De acordo com Anscombe, aproximadamente 66% dos pais norte-americanos alegam que estão fazendo algo para proteger crianças e jovens de conteúdos impróprios na internet, mas na prática, apenas um a cada cinco realmente o fazem. "Esse é o problema que precisa ser adereçado, as pessoas pensam que estão fazendo algo, mas não estão", afirma.

Há duas semanas, a AVG lançou o aplicativo para Android AVG Family Center, que permite que pais criem um ambiente virtualizado no dispositivo da criança para limitar o acesso a determinados aplicativos ou até a redes wi-fi e bluetooth. Ainda em fase de beta-testing, o app faz parte de uma série de iniciativas da companhia para entrar em um mercado que ganha relevância entre pais e responsáveis, mas não é efetivamente adotado por todos. Ainda não há data prevista para lançamento de uma versão para iOS do app.

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