Variante de Manaus pode infectar pessoas que já pegaram COVID-19

Por Nathan Vieira | 04 de Março de 2021 às 16h00
Fernando Zhiminaicela/Pixabay

Desde o início do ano, pesquisadores levantam alertas para uma nova variante do coronavírus descoberta em Manaus. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) já apontou que essa variante tem mais potencial de transmissão. No entanto, um relatório recente do jornal americano The New York Times apontou que a P.1 (como foi nomeada a variante) é capaz de reinfectar pessoas que já se recuperaram da COVID-19, ultrapassando as proteções do sistema imunológico.

A variante foi identificada em dezembro do ano passado, após quatro viajantes contaminados desembarcarem em um aeroporto no Japão, vindos de Manaus. Após análises, pesquisadores da USP apontaram uma série de mutações genéticas com potencial de aumentar tanto a transmissão quanto a reinfecção pela COVID-19.

Na época, os pesquisadores também verificaram que essa cepa estava presente em 42% dos pacientes contaminados com o coronavírus e testados na capital amazonense, identificada em 13 das 31 das amostras positivas para o teste de RT-PCR coletadas entre 15 e 23 de dezembro de 2020.

Variante de Manaus pode infectar pessoas que já pegaram COVID-19 (Imagem: Daniel Roberts/Pixabay)

Atualmente, a cepa se espalhou para 24 países, o que inclui os EUA, que declararam preocupação diante da variação. “É certo se preocupar com a P.1, e esses dados nos dão o motivo”, disse o epidemiologista da Escola de Saúde Pública de Harvard TH Chan, William Hanage, ao The New York Times.

Os cientistas têm dados preliminares sobre a capacidade problemática da variante P.1 de reinfectar sobreviventes do coronavírus, mas sua pesquisa de laboratório ainda não foi publicada em um jornal acadêmico ou validada no campo, relata o veículo norte-americano. De qualquer forma, os especialistas ainda aconselham cautela.

“As descobertas valem para Manaus, mas não sei se se aplicam a outros lugares”, disse ao NYT o pesquisador do Imperial College London, Nuno Faria, que ajudou a conduzir a pesquisa sobre a P.1 . Ainda assim, Faria pede extrema cautela e diz que ainda devemos fazer absolutamente tudo o que pudermos para retardar a disseminação do coronavírus, como continuar a nos isolar e usar máscaras, mesmo aqueles que pensam ter desenvolvido uma resistência à doença.

“A mensagem final é que é preciso intensificar todos os esforços de vacinação o mais rápido possível. É preciso estar um passo à frente do vírus", declarou o pesquisador.

P.1 é duas vezes mais transmissível

Estudos recentes da Fiocruz e do Grupo Cadde desvendaram potenciais de transmissão da nova cepa P.1, encontrada em Manaus (Imagem: Fernando Zhiminaicela/Pixabay)

Na última terça-feira (2), mencionamos dois novos estudos que alertam que a P.1 aumenta em dez vezes a carga viral no corpo e é duas vezes mais transmissível. O primeiro estudo foi publicado na sexta-feira (26) no site Research Square, e foi feito por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O segundo estudo foi feito pelo Centro Brasil-Reino Unido de Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (grupo Cadde).

Segundo esses estudos, a variante é até 2,2 vezes mais contagiosa, com chance até 61% maior de escapar da imunidade protetora conferida por uma infecção prévia.

Fonte: The New York Times via Futurism

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