Giro da Saúde: status da variante Delta no Brasil; bebê nasce com feto dentro

Giro da Saúde: status da variante Delta no Brasil; bebê nasce com feto dentro

Por Luciana Zaramela | 08 de Agosto de 2021 às 08h00

Chegou domingo, e portanto, dia de resumir o que aconteceu de mais importante na última semana! Se você se manteve ocupado demais para acompanhar o Canaltech durante esse tempo, fique tranquilo: aqui no Giro da Saúde, a gente resume os grandes destaques da semana e, ao final, trazemos mais notícias para você ficar por dentro de tudo relacionado ao tema.

1. Bebê nasce com gêmeo dentro de sua barriga 

Fetus in fetu: condição rara em que um bebê nasce "grávido" de outro, porém não desenvolvido (Imagem: Tim Bish/Unsplash)

Você já ouviu falar de um fenômeno chamado fetus in fetu? Trata-se de uma situação em medicina que corresponde ao nascimento de um bebê saudável, porém com um "irmão gêmeo" dentro de si. O caso, que é extremamente raro (um a cada 500 milhões de nascimentos) aconteceu em Israel na última semana.

Durantes as consultas pré-natais da mãe, os médicos perceberam que algo de errado havia com o estômago do bebê. Através de exames de ultrassom e raio-x, a equipe identificou um feto parcialmente desenvolvido dentro do estômago da criança.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Isso acontece quando um feto é absorvido pelo outro durante uma gestação de gêmeos. No entanto, ainda não se sabe ao certo o que causa o fetus in fetu. A hipótese mais aceita atualmente pela medicina é que o caso pode acontecer devido ao tamanho das cavidades que existem no período embrionário e que se fecham durante o crescimento fetal, fazendo com que um acabe entrando no outro, porém, sem se desenvolver por completo.

2. Homem faz colonoscopia e encontra inseto no intestino

Bichinho ainda estava vivo quando foi encontrado (Imagem: Wirestock/Freepik)

Imagine-se na seguinte situação: você é orientado a fazer uma colonoscopia (exame de imagem que investiga as paredes internas do intestino grosso) e, como resultado, encontra um bicho dentro do seu intestino. Foi o que aconteceu com um cidadão americano de 59 anos.

O laudo trouxe como resultado a presença de uma joaninha viva nas paredes intestinais do paciente. Mas... como ela foi parar lá? E ainda por cima, viva? De acordo com os médicos envolvidos no caso, o inseto pode ter sido engolido acidentalmente enquanto o homem dormia. E como o processo de preparação para a colonoscopia envolve a tomada de muito laxante, isso pode ter contribuído para que ela passasse ilesa pelos ácidos e enzimas digestivas do estômago e intestino delgado, sobrevivendo a todo o processo de digestão e descendo até o intestino grosso. Olha a carinha dela aí:

A parede interna do intestino grosso e a delicada joaninha (Imagem: Wolters Kluwer Health)

3. Quer ver um vírus de verdade se movendo em escala quase atômica?

Como um vírus se move? (Imagem: Wirestock/Freepik)

Uma equipe de pesquisadores da Penn State (Universidade Estadual da Pensilvânia) conseguiu registrar os movimentos reais de um vírus dentro de gotícula respiratória. O grupo gravou, em alta resolução, um vídeo de como os vírus se movem em um ambiente quase nativo.

Para estudar esses seres microscópico,s os pesquisadores gravaram pequenos filmes, de 20 segundos, de vírus humanos flutuando em um líquido com detalhes quase atômicos, graças à microscopia eletrônica. Com técnicas mais tradicionais de registro dos agentes infecciosos — feito com imagens estáticas —, seria necessário registrar o comportamento do vírus por até 24h para se obter um grau de informação parecido, mas não igual. O bacana é que, com o vídeo, os cientistas poderão compreender melhor como os potencias tratamentos e vacinas se comportam e funcionam conforme interagem com as células-alvo, inclusive levando o SARS-CoV-2 em consideração. Veja só que legal:

4. Agora dá para prever a habilidade matemática de uma criança

Jovens gênios com spoiler: agora é possível prever quem vai se dar bem em exatas (Newman_studio/Envato Elements)

Um novo método preditivo para crianças e jovens repercutiu internacionalmente na semana passada: pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, criaram uma nova fórmula para prever a capacidade para desenvolver habilidades na área de exatas. A técnica consiste de uma contagem de neurotransmissores no cérebro de cada indivíduo. Foram analisados dois neurotransmissores específicos: o glutamato e o ácido gama-aminobutírico (GABA). Ambos já eram conhecidos por se relacionarem com a plasticidade do cérebro e a capacidade de aprendizado. O glutamato e o GABA, dentro do nosso cérebro, têm papéis complementares: enquanto o glutamato excita os neurônios, o GABA os inibe. Juntos, eles conseguem dar ao cérebro sua plasticidade e capacidade de aprendizado.

O estudo envolveu 255 voluntários com pelo menos seis anos — e também estudantes universitários — foram acompanhados por um ano e meio pelos pesquisadores. No levantamento, foram usados dados de dois testes de matemática — o primeiro feito no momento de entrada no estudo e o segundo realizado no último período de participação — e varreduras de ressonância magnética. Os níveis de neurotransmissores registrados no primeiro exame poderiam prever a habilidade matemática nos exames posteriores.

Nas crianças, níveis mais altos de GABA e níveis mais baixos de glutamato foram associados a melhores resultados em matemática, mas no grupo de voluntários mais velhos, aqueles que mostraram níveis mais baixos de GABA e níveis mais altos de glutamato foram os que tiveram o melhor desempenho nas tarefas da disciplina.

5. Eis o que sabemos sobre a variante Delta no Brasil

Com jovens adultos ainda não vacinados, a Delta pode se tornar predominante no Brasil (Imagem: Thirdman/Pexels)

Na última terça (3), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou um estudo que identificou um novo aumento no número de internações por COVID-19 entre idosos por conta da variante Delta. O estudo ainda faz outro alerta: a população de crianças de 0 a 9 anos encontra-se no pior momento desde o começo da epidemia por aqui.

Vale lembrar que ná sexta-feira passada (6), o vice-diretor-geral da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa, fez um alerta de que o número de casos confirmados da variante Delta no Brasil é apenas “a ponta do iceberg”. A estimativa é de aumento considerável de casos, levando em consideração que a maioria dos casos da variante seja de assintomáticos ou leves — o que dificulta a identificação da transmissão, já que as pessoas não são testadas ou monitoradas quando contaminadas com COVID leve ou sem sintomas. Barbosa ainda destacou que todas as vacinas aprovadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aplicadas no Brasil são eficazes contra a variante Delta.

Status da variante no Brasil

Até a última apuração, realizada na sexta-feira (6), o raio-x de casos da variante Delta nos estados brasileiros trouxe o seguinte resultado:

  • Ceará, com quatro casos;
  • Distrito Federal, com 54;
  • Goiás, com cinco;
  • Maranhão, com sete;
  • Minas Gerais, com quatro;
  • Paraná, com 29;
  • Pernambuco, com três;
  • Rio de Janeiro, com 101;
  • Rio Grande do Sul, com 45;
  • Santa Catarina, com oito;
  • São Paulo, com 50
  • Pará, com o primeiro caso divulgado na última quinta (5)

As 21 mortes causadas pela variante foram registradas no Maranhão (1), Paraná (12), Rio de Janeiro (4) e Distrito Federal (4).

Quer mais sobre saúde e ciência? Selecionamos assuntos que podem te interessar:

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.