Qual é o futuro da CoronaVac? Saúde anuncia 3ª dose, mas desconsidera a vacina

Qual é o futuro da CoronaVac? Saúde anuncia 3ª dose, mas desconsidera a vacina

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 31 de Agosto de 2021 às 13h10
Luciana Zaramela/Canaltech

Na segunda-feira (30), o Instituto Butantan entregou ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, mais de dez milhões de doses da vacina CoronaVac contra a COVID-19. Este foi o maior lote já enviado de doses do imunizante contra o coronavírus SARS-CoV-2, mas os planos —  e o cronograma — do Butantan, a partir de agora, devem mudar. Isso porque a fórmula não será aplicada como injeção de reforço (terceira dose) para os brasileiros.

O contrato do Butantan com a Saúde previa entregas de doses da CoronaVac até o final de setembro, mas o instituto previa adiantar as remessas até o final deste mês. No total, o Butantan já entregou 92,8 milhões de doses para o governo federal. Agora, ainda faltam 7,1 milhões de doses para serem enviadas. Só que este envio pode levar algumas semanas para ser concluído.

Instituto Butantan muda estratégia para a distribuição de doses da CoronaVac (Imagem: Reprodução/Luciana Zaramela/Canaltech)

Questão da terceira dose da vacina

Na última semana, a Saúde anunciou que deve ser aplicada uma dose de reforço nos idosos com mais de 70 anos e pessoas imunossuprimidas a partir da segunda semana de setembro, de forma escalonada. A terceira dose será uma importante iniciativa para melhorar as defesas imunológicas desse grupo que enfrenta a imunossenescência.  

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No entanto, a vacina que deve ser usada, preferencialmente, como a terceira dose é da Pfizer/BioNTech, segundo orientação da própria Saúde. "Na falta desse imunizante, a alternativa deverá ser feita com as vacinas de vetor viral, Janssen ou Astazeneca [Oxford/Fiocruz]", detalha a pasta.

De acordo com as recomendações, o futuro da CoronaVac é incerto no plano nacional. Provavelmente, as últimas doses deverão ser usadas para completar a vacinação de quem já recebeu a primeira. Até o momento, nenhum detalhe foi comentado pela Saúde sobre a questão. 

Por outro lado, diferente do que orienta o ministério da Saúde, o governo do estado de São Paulo já anunciou que a dose de reforço poderia ser feita também com a vacina CoronaVac.

Perspectivas da produção da CoronaVac no Brasil

“Ainda essa semana haverá uma liberação de doses e nós vamos atender o Ministério e os estados que tenham necessidade da vacina. Nós vamos compatibilizar os cronogramas e vamos fazer a entrega para todos que têm contrato”, afirmou o diretor do Butantan, Dimas Covas, durante coletiva de imprensa.

“Temos, neste momento, 13 milhões de doses no Brasil em processamento. Temos liberação quase que diária e estamos reprogramando as entregas porque temos outros contratos a serem concluídos, outros estados e outros países”, contou Dimas. Ainda não foram detalhados o destino da produção de doses da CoronaVac pelo Butantan.

Mesmo que o imunizante contra a COVID-19 não seja prioridade para a Saúde, as doses ainda poderão ser usadas contra a pandemia. Nesse sentido, existe a possibilidade de o imunizante ser exportado para outros países, que estão mais atrasados no processo de vacinação contra o coronavírus. Segundo a plataforma Our World in Data, apenas 1,7% das pessoas em países de baixa renda receberam pelo menos uma dose de alguma vacina. Em outras palavras, muito provavelmente, haverá mercado.

Fonte: Instituto Butantan, Our World in Data e Correio Braziliense     

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