Por que gerenciar sua energia é tão importante quanto administrar seu tempo

Por que gerenciar sua energia é tão importante quanto administrar seu tempo

Por Paulo Monçôres | 09 de Setembro de 2021 às 10h00
Envato / twenty20photos

É comum relacionarmos a produtividade ao tempo: quanto mais horas trabalhadas, mais produtivos somos. Entretanto, a sobrecarga da rotina de trabalho muitas vezes faz com que nos sintamos incapazes de harmonizar o dia a dia profissional com nossas relações e atividades pessoais. Uma pesquisa realizada no início do ano pela consultoria de recrutamento e seleção Robert Half¹ mostrou que, para 26% dos profissionais, o equilíbrio entre qualidade de vida e trabalho piorou após os 12 primeiros meses da pandemia.

Em meio à pressão por entrega de resultados e cumprimento de metas, dificilmente nos damos conta de que a origem do problema talvez esteja no gerenciamento da nossa energia, e não do nosso tempo. Neste artigo, tento provocar um exercício de autorreflexão, com base principalmente em um questionamento central e permanente, independentemente da área de atuação: será que você gerencia adequadamente sua energia?

Cultivar sua energia física: o primeiro passo

Tony Schwartz e Catherine McCarthy, executivos do The Energy Project², empresa de treinamento e consultoria focada em energizar as organizações, elegem o aspecto físico como ponto de partida em seus programas de gestão de energia. Segundo eles, nutrição, exercícios, sono e descanso inadequados diminuem, e muito, os níveis básicos de disposição, comprometendo nossa capacidade de controlar as emoções e manter os níveis de atenção.

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A importância de zelar pela energia do nosso corpo é corroborada no livro “O Oráculo da Noite”, em que o neurocientista Sidarta Ribeiro, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), recorre a um estudo de larga escala realizado em países subdesenvolvidos para demonstrar os efeitos negativos da falta de sono. O levantamento, feito com mais de 43 mil pessoas em Gana, Tanzânia, África do Sul, Índia, Bangladesh, Vietnã, Indonésia e Quênia, revelou que quase 17% dos participantes apresentavam problemas de sono severos ou extremos, e relaciona esse fator a atrasos sociais como baixa escolaridade e baixa qualidade de vida. Apesar de quase nunca ser simples aplicar a teoria, identificar os sinais do corpo pode significar mais saúde e eficiência no seu dia a dia.

É possível gerenciar minha energia sozinho, sem o auxílio de uma equipe especializada? (Envato / stokkete)

Emoções, foco e propósito: exercite sua determinação

Além da disposição física, é fundamental cultivar também nossas emoções, da mente e do espírito, indispensáveis para desenvolver a determinação (ou “willpower”, em inglês). Segundo Mark Muraven, professor de psicologia da Universidade de Albany, nos Estados Unidos, mais de 200 estudos já provaram que a determinação não é apenas uma habilidade, mas um músculo, que também necessita de energia e, consequentemente, está sujeito ao cansaço.

Um programa conduzido pelo The Energy Project em 2006, com 106 funcionários de um banco de Nova Jersey, baseado em módulos como reeducação alimentar, adequação do sono, exercícios para melhorar a respiração e cultivo de emoções positivas, comprovou os benefícios pessoais e produtivos da gestão de energia: aumento de 13% na receita de empréstimos em comparação com o grupo de controle (pessoas que não participavam do programa) e percepção de melhoria no relacionamento com clientes e consumidores para 68% dos participantes. Em outras palavras: bem-estar e sucesso só são viáveis quando corpo, espírito e mente estão em harmonia.

Como colocar isso em prática

Você deve estar se perguntando: é possível gerenciar minha energia sozinho, sem o auxílio de uma equipe especializada? Uma forma de colocar isso em prática é analisando e adequando sua rotina. Os hábitos surgem porque o cérebro está constantemente procurando maneiras de economizar esforços – ou seja, formas de otimizar a energia –, como escreve Charles Duhigg, vencedor do Pulitzer, principal prêmio norte-americano concedido a profissionais de jornalismo e artes, no livro “O poder do hábito”.

Um bom ponto de partida é criar uma lista com suas atividades regulares, responsabilidades e decisões, considerando sua semana e seus próximos meses. Para cada item da relação, atribua uma nota negativa (-1 ou -2) aos que consomem sua energia e uma nota positiva (+1 e +2) aos que aumentam sua energia. Esse exercício ajudará você a ter clareza sobre seu ritmo, e o ajudará a definir o que pode ser delegado, automatizado ou eliminado do seu cotidiano.

Apesar de ser um recurso suscetível a expansão, a energia está intrinsecamente conectada ao tempo, finito. O desafio é estabelecer um equilíbrio entre disponibilidade e disposição, para, assim, aumentar sua produtividade e, acima de tudo, melhorar sua qualidade de vida — algo ainda mais necessário atualmente.

¹ Robert Half

² The Energy Project

*Artigo produzido por colunista com exclusividade ao Canaltech. O texto pode conter opiniões e análises que não necessariamente refletem a visão do Canaltech sobre o assunto.

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