Pandemia de COVID-19 era evitável, segundo relatório encomendado pela OMS

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 13 de Maio de 2021 às 10h30
Tumisu/Pixabay

A pandemia de COVID-19 poderia ter sido evitada. Pelo menos, é isso que afirma um novo relatório encomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O relatório pertence a um painel presidido pela ex-primeira-ministra da Nova Zelândia, Helen Clark, e pela ex-presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf.

Clark descreveu fevereiro de 2020 como “um mês de oportunidades perdidas para evitar uma pandemia, com tantos países escolhendo esperar para ver”. Ela menciona, no relatório, que alguns países não tomaram medidas até que os leitos de UTI do hospital começassem a encher, momento em que já era tarde demais para evitar o impacto da pandemia. "Globalmente, os profissionais de saúde foram testados até seus limites e as taxas de infecção, doença e morte dispararam e continuam a subir”, aponta o material.

O relatório foi encomendado pelo diretor-geral da OMS por iniciativa dos Estados membros, que convocaram a Assembleia Mundial da Saúde em maio do ano passado para uma revisão imparcial do que aconteceu e o que pode ser aprendido com a pandemia.

Basicamente, o painel pede mudanças radicais para reunir chefes de estado para supervisionar os cuidados na pandemia, garantindo financiamento. A ideia é uma OMS mais rápida e com melhores recursos.

A pandemia de COVID-19 poderia ter sido evitada?

(Imagem: tang/rawpixel)

O relatório diz que os chineses detectaram e identificaram o novo vírus prontamente quando ele surgiu no final de 2019, e deram avisos que deveriam ter sido ouvidos. Um alerta foi enviado em Wuhan sobre um vírus potencialmente novo, que foi detectado rapidamente pela OMS.

No entanto, segundo o material, a OMS foi prejudicada e não teve ajuda dos regulamentos e procedimentos internacionais de saúde que regem quando a OMS pode declarar uma emergência de saúde pública de interesse internacional. O que acontece é que a OMS fica submetida à confidencialidade e verificação, evitando ações rápidas, e proíbem os países de fechar desnecessariamente suas fronteiras contra o comércio. Se não fosse por isso, diz o relato, a emergência poderia ter sido declarada até 22 de janeiro, em vez de 30 de janeiro, como aconteceu.

Por fim, o relatório menciona que alguns países desvalorizaram a ciência, negando a gravidade da doença, o que levou a “consequências mortais”. O relatório recomenda a criação de um “conselho global de ameaças à saúde”, liderado por chefes de estado, para manter a atenção sobre as ameaças de pandemias entre emergências e garantir uma ação coletiva.

Fonte: The Guardian

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