Novas evidências apontam que coronavírus não vazou de laboratório

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 12 de Julho de 2021 às 17h42
Signe Allerslev/ Pixabay

Mais de um ano depois do primeiro caso da COVID-19, cientistas seguem na busca por evidências da real origem do coronavírus SARS-CoV-2, descoberto pela primeira vez na cidade de Wuhan, na China. Agora, uma equipe de virologistas divulgou uma revisão sobre os fatos já descobertos sobre o tema e concluíram que a origem da pandemia, provavelmente, ocorreu a partir do contágio do vírus de um animal para um humano. Dessa forma, o agente infeccioso não teria vazado de um laboratório.

Divulgado na última quarta-feira (7), o artigo sobre as origens do coronavírus — ainda não revisado por pares — foi assinado por 21 virologistas, sendo que quatro deles também colaboraram para o artigo de 2020, publicado na revista científica Nature Medicine, onde foi também descartada a hipótese do vazamento de um laboratório. No entanto, novas evidências corroboram a nova defesa.

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Segundo especialistas, coronavírus não vazou de laboratório chinês (Imagem: Reprodução/Tawatchai07/Freepik)

Animais silvestres e o coronavírus

A principal ideia é de que o vírus tenha sido transmitido, originalmente, de um morcego para um animal ainda desconhecido e, por fim, chegou até a espécie humana. Isso significa que ainda é necessário descobrir o hospedeiro intermediário do coronavírus, provavelmente, um animal presente no mercado de Wuhan, já que este ainda é considerado o primeiro epicentro do agente infeccioso.

Cão-guaxinim pode ser o hospedeiro intermediário do coronavírus (Imagem: Reprodução/WildMediaSK/Envato Elements)

No novo artigo, os cientistas apontam para um relatório, onde os mercados de Wuhan comercializavam animais vivos, provavelmente suscetíveis ao coronavírus, por exemplo: civeta de palmeira asiática (Paradoxurus hermaphroditus) e cão-guaxinim (Nyctereutes procyonoides). No total, o inventário listou 47.381 animais, de 38 espécies, vendidas nos mercados de Wuhan entre maio de 2017 e novembro de 2019.

Caso da SARS

Além do atual coronavírus, é importante lembrar dos outros agentes infecciosos dessa mesma família. Identificado pela primeira vez em 2002, o vírus SARS-CoV (note que não tem o número dois) é conhecido por causar a Síndrome Respiratória Aguda Grave, a SARS. Esta foi uma epidemia que afetou 26 países e registrou mais de oito mil infecções desde que foi descoberta na província de Guangdong, no sul da China, em 2002. Hoje, foi controlada e não são registrados mais casos.

Civeta de palmeira asiática é um dos animais que podem ter transmitido o coronavírus aos humanos (Imagem: Reprodução/Twenty20photos/Envato Elements)

O interessante é que, só algum tempo depois, os pesquisadores conseguiram localizar o hospedeiro intermediário — aquele que fica entre o morcego e os humanos —, no caso da civeta de palmeira asiática. Esse animal selvagem também era comercializado em alguns mercados chineses para consumo. Além disso, os dromedários foram também hospedeiros intermediários (reservatórios) para a MERS (Síndrome respiratória do Oriente Médio) e, novamente, a origem estava no consumo ou contato de carne contaminada.

Localização do mercado de Wuhan

Outro argumento levantado no artigo foi o local dos primeiros casos da COVID-19 em Wuhan. “O mercado de Wuhan está bem no epicentro do surto, com os casos posteriores se irradiando para áreas a partir de lá”, afirmou Michael Worobey, pesquisador da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, e um dos autores da nova publicação.

“Nenhum caso inicial [da epidemia] se situa perto do WIV [Instituto de Virologia de Wuhan], que tem sido o foco da maioria das especulações sobre uma possível fuga do laboratório [deste agente infeccioso]”, complementou Worobey, durante entrevista para o jornal The New York Times.

Narrativas contrárias

Em paralelo a essas pesquisas, as agências de inteligência norte-americana também estão trabalhando em um relatório sobre a origem da pandemia do coronavírus SARS-CoV-2. No momento, há uma divisão entre os oficiais de inteligência dos EUA sobre qual cenário de origem viral é o mais provável.

Uma outra corrente de cientistas continua a apoiar a ideia de que o vírus vazou de um laboratório e de que as novas evidências apresentadas são, na verdade, argumentos apenas especulativos e uma repetição de situações que já eram conhecidas. Parte desses cientistas já publicou uma carta, em maio deste ano, na qual questionam a versão de que o coronavírus foi transmitido, de forma natural, para o ser humano. No entanto, também não existem provas que confirmem o vazamento proposital.

Para conferir o artigo publicado pelos virologistas sobre o coronavírus, publicado na plataforma Zenodo, clique aqui.

Fonte: NYT  

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