Médicos separam gêmeos siameses unidos pelo crânio usando realidade virtual

Médicos separam gêmeos siameses unidos pelo crânio usando realidade virtual

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 03 de Agosto de 2022 às 16h05
halfpoint/envato

Gêmeos siameses brasileiros foram separados por cirurgia complexa que envolveu realidade virtual, inúmeros procedimentos e quase 100 médicos. Com quase 4 anos de idade, Bernardo e Arthur Lima são os siameses mais velhos a passar pela cirurgia, considerada uma das mais complexas já feitas pela instituição de caridade que a financiou, Gemini Untwined, do cirurgião Noor ul Owase Jeelani.

Pela primeira vez, cirurgiões em diversos países participaram da operação utilizando fones de ouvido e compartilhando uma sala de realidade virtual. No total, foram 7 cirurgias, que, juntas, duraram mais de 27 horas apenas na operação final. O procedimento foi feito com base em tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas, que deram aos médicos as informações necessárias para operar. Um modelo dos cérebros dos meninos foi impresso em 3D para servir como guia no momento da separação.

Operações e inovações

Operações anteriores já haviam tentado separar os gêmeos, mas a anatomia era complicada, já que os gêmeos compartilhavam uma importante veia no cérebro. Assim como todos os siameses, após a separação, a pressão arterial e os batimentos cardíacos dos pacientes estavam altos. Isso durou até seu reencontro quatro dias depois, quando tocaram as mãos. Segundo Jeelani, o procedimento foi "coisa da era espacial".

A instituição Gemini Untwined já realizou 6 procedimentos de separação de gêmeos siameses, contando com os brasileiros Bernardo e Arthur. Operações anteriores foram realizadas no Sudão, em Israel e na Turquia. Aqui, tudo foi realizado junto ao médio Gabriel Mufarrej, chefe de cirurgia plástica no Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer, no Rio de Janeiro, mas com direção do Great Ormond Street Hospital, em Londres.

O hospital carioca já cuidava dos meninos há 2 anos e meio, desde que os pais os trouxeram de seu estado natal, Roraima, para o Rio, em busca de ajuda. Segundo Mufarrej, eles "se tornaram parte da nossa família aqui no hospital". Eles são os gêmeos craniópagos, ou seja, que têm o crânio fundido, mais velhos a serem separados no mundo.

A instituição de caridade Gemini Untwined foi fundada em 2018, com o objetivo de auxiliar famílias como essa com as operações de separação. Segundo dados levantados pela mesma, um em cada 60 mil nascimentos vê a ocorrência de gêmeos siameses — destes, 5% são craniópagos, ou seja, 3.000 deles.

Fonte: BBC

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